Cemig vai esperar preços para decidir sobre participação em leilão A-0

segunda-feira, 24 de março de 2014 17:56 BRT
 

SÃO PAULO, 24 Mar (Reuters) - A estatal mineira Cemig, que tem energia disponível para venda, ainda não definiu se participará como ofertante no leilão de energia A-0, marcado para 25 de abril, e aguarda dados sobre o preço que poderá ser praticado para tomar a decisão.

O leilão A-0, que faz parte do pacote para o setor elétrico anunciado neste mês pelo governo federal, visa reduzir a descontratação das distribuidoras de energia, com a assinatura de contratos de longo prazo, de forma que não fiquem expostas aos altos preços de energia de curto prazo, em momento de forte geração termelétrica.

"Tudo depende de preço. Se as condições forem razoáveis, com certeza, vamos participar", disse o diretor financeiro da companhia, Luiz Fernando Rolla, durante teleconferência com analistas.

Os contratos de fornecimento de energia no leilão serão para o período entre 1o de maio deste ano a 31 de dezembro de 2019, de acordo com as diretrizes divulgadas nesta segunda-feira. O leilão irá vender energia em dois produtos, por quantidade e disponibilidade, permitindo inclusive a participação de térmicas. Os preços máximos que poderão ser praticados no leilão ainda não estão definidos.

Segundo Rolla, a Cemig tem energia disponível a partir de 2014 para ofertar no leilão, mas não mencionou quanto.

A empresa tem buscado recompor o seu portfólio de geração de energia por meio de aquisições e aumento da participação em outras companhias. Segundo Rolla, a estratégia da Cemig Geração e Transmissão, neste ano, é continuar buscando novas oportunidades para recompor cerca de 1.000 megawatts (MW) de energia referentes a usinas hidrelétricas da empresa que vencem em 2015, e cuja concessões não serão renovadas. Isso porque a empresa decidiu, ao final de 2012, não renovar as concessões dessas usinas de acordo com as regras estabelecidas pelo governo federal, que implicariam redução de receita.

A Cemig, segundo Rolla, está participando no processo de privatização da colombiana Isagén, em consórcio com a Empresas Públicas de Medellín (EPM), empresa pública local, e que deve convidar outros investidores para se juntarem ao grupo. "A Isagén será uma oportunidade única de adentrar ao mercado da Colômbia", disse.

Questionado sobre planejamento para pagar dividendos em 2014, Rolla mostrou cautela quanto a dividendos extraordinários. "Temos que ser, a essa altura, um pouco comedidos sobre o pagamento de dividendos porque o cenário não está claro...Havendo disponibilidade de caixa e adiamento de alguma das aquisições, com certeza, estaremos declarando dividendos extraordinários".

(Por Anna Flávia Rochas)