ENTREVISTA-Grupo AES busca alternativas para expandir geração a gás; disputará Três Irmãos

segunda-feira, 24 de março de 2014 17:26 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo AES continua buscando expandir sua capacidade de geração de energia com projetos de térmicas no Brasil e embora ainda não tenha garantia de suprimento de gás natural no curto prazo, pode conseguir viabilizar os empreendimentos em carteira no país com combustível de projeto próprio no futuro.

A divisão da AES Corporation de desenvolvimento para a América Latina assinou um acordo preliminar na semana passada com a australiana Liquified Natural Gas (LNGL) para desenvolver o projeto de liquefação de gás natural Magnolia, nos Estados Unidos, que ajudará a garantir o suprimento para projetos da companhia inclusive no Brasil. A previsão é que o acordo definitivo seja assinado em setembro deste ano.

"Sem dúvida, as análises que a gente têm feito estão incluindo os volumes que poderiam ser desenvolvidos para o Brasil", disse o vice-presidente de Mercado e Desenvolvimento de Negócios da AES Tietê, empresa do grupo AES, Francisco Morandi, à Reuters.

Segundo ele, o projeto nos EUA deve iniciar operação entre 2017 e 2019 e poderá garantir gás natural para que projetos da AES no Brasil possam entrar em leilões A-5, no ano que vem.

Atualmente, a AES Tietê tem em seu portfólio os projetos das térmicas São Paulo, que será localizado em Canas (SP), de 550 megawatts (MW), e uma opção de compra do projeto da Termo Araraquara (579 MW), mas não tem gás garantido para nenhuma delas.

A Termo São Paulo está inscrita para participar do próximo leilão de energia A-3, marcado para junho, que vai licitar projetos para entrega de energia a partir de 2017, mas precisa garantir pré-contrato de gás natural para passar pela fase de habilitação.

"Acho que se a Petrobras não oferecer o gás, vai ser pouco provável que a gente possa participar do A-3", disse Morandi, ao explicar que, no curto prazo, a única fonte de fornecimento de gás possível seria a Petrobras.

Mas a estatal federal tem encontrado dificuldades para fornecer gás natural para todos os projetos que precisam do combustível nos leilões. De acordo com as regras atuais, para poder participar dos leilões, os projetos termelétricos devem apresentar um pré-contrato de garantia com o fornecedor de gás comprovando a capacidade de suprimento por 30 anos.   Continuação...