S&P corta rating brasileiro para "BBB-", com perspectiva estável

segunda-feira, 24 de março de 2014 20:17 BRT
 

24 Mar (Reuters) - A agência de classificação de risco Standard and Poor's cortou a nota do Brasil para "BBB-" , ante "BBB", e mudou a perspectiva para o rating de negativa para estável, em um baque para o governo da presidente Dilma Rousseff, cujos esforços para gerar maior crescimento econômico levaram a uma deterioração das finanças do país.

Esta é a primeira vez desde 2002, ano da primeira eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que uma das três principais agências de rating piora a classificação do país.

A classificação de "BBB-" ainda mantém o país com grau de investimento, mas é o último degrau para perder esse posto. O fato de ter mudado a perspectiva para estável indica que a S&P não deve fazer novos rebaixamentos no curto prazo.

A S&P argumentou que sinalizações mistas de políticas pelo governo, com implicações negativas para a credibilidade das contas fiscais e da política econômica, além de perspectiva fraca para o crescimento no próximos dois anos, continuam pesando sobre o desempenho do país.

O movimento já era esperado, mas a expectativa era que uma mudança viesse apenas depois das eleições de outubro, como havia indicado a própria a agência recentemente. Na semana retrasada, no entanto, os executivos da S&P fizeram verdadeira peregrinação no país, mantendo encontros com importantes figuras da equipe econômica --como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

"O rebaixamento reflete a combinação de derrapagem orçamentária, a perspectiva de que a execução fiscal continuará fraca em meio a crescimento moderado nos próximos anos, uma capacidade restrita a ajustar a política antes das eleições presidenciais de outubro e algum enfraquecimento das contas externas do país", informou a S&P por meio de nota.

O Brasil deve fechar este ano com déficit em transações correntes de 80 bilhões de dólares, de acordo com previsão do Banco Central.

A fim de tentar resgatar a confiança dos agentes econômicos na política fiscal brasileira, em fevereiro o governo anunciou uma nova meta de superávit primário para este ano, de 99 bilhões de reais, ou 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), considerada mais "realista".

Os primeiros resultados fiscais do ano, no entanto, não foram animadores, com a economia feita para pagamento de juros ficando em 19,921 bilhões de reais em janeiro, quase 35 por cento a menos do que um ano antes.   Continuação...