S&P corta rating do Brasil por piora das contas fiscais, governo rebate

segunda-feira, 24 de março de 2014 23:34 BRT
 

24 Mar (Reuters) - A agência de classificação de risco Standard and Poor's cortou a o rating soberano do Brasil nesta segunda-feira, citando a deterioração das contas públicas do país, em um revés para a presidente Dilma Rousseff, que vai tentar a reeleição neste ano e cujos esforços para gerar maior crescimento econômico levaram a uma deterioração das finanças do país.

A nota da dívida do país caiu para "BBB-", a faixa mais baixa da categoria de grau de investimento, ante "BBB", com perspectiva estável. Esta foi a primeira vez desde 2002, ano da primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que uma das três principais agências de rating rebaixa a classificação do país.

A perspectiva para a nota foi alterada para estável, ante negativa, o que indica que a S&P não deve fazer novos rebaixamentos no curto prazo.

"O rebaixamento reflete a combinação da deterioração fiscal, a perspectiva de que a execução fiscal continuará fraca diante de um baixo crescimento nos próximos anos, de uma capacidade reduzida para ajustar suas políticas antes das eleições presidenciais, e do ligeiro enfraquecimento das contas externas do Brasil", disse a agência em nota divulgada nesta segunda-feira.

A S&P argumentou que o governo tem enviado sinais pouco claros sobre suas políticas, gerando implicações negativas para as contas fiscais e a credibilidade da política econômica.

"O que eles estão dizendo é faça a lição de casa para não perder o outra nota e perder o grau de investimento. O alerta é esse. O governo acabou tomando medidas e decisões que colocaram em suspeita a condução da política fiscal", disse o economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank, Jankiel Santos.

O movimento já era esperado, mas surpreendeu pelo momento em que foi anunciado. A expectativa era que uma mudança viesse apenas depois das eleições de outubro, como havia indicado a própria a agência recentemente. Na semana retrasada, os executivos da S&P fizeram verdadeira peregrinação no país, mantendo encontros com importantes figuras da equipe econômica --como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Para o governo, a decisão da agência foi "inconsistente" e "contraditória" com "a solidez e os fundamentos do Brasil", como defendeu em nota o Ministério da Fazenda.

"Não procede a avaliação sobre a situação fiscal brasileira, levando-se em consideração que o País tem gerado um dos maiores superávits primários do mundo nos últimos 15 anos", rebateu o Ministério da Fazenda em nota, ressaltando que o superávit primário do ano passado foi suficiente para reduzir o endividadmento público.   Continuação...