BC vê inflação acima de 6% neste ano, com pressão de administrados

quinta-feira, 27 de março de 2014 13:44 BRT
 

Por Patrícia Duarte e Luciana Otoni

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 27 Mar (Reuters) - Com forte pressão dos preços administrados, o Banco Central elevou bastante sua projeção de inflação neste ano, para acima de 6 por cento, ao mesmo tempo em que piorou as contas para o crescimento econômico, indicando que o ciclo de aperto monetário pode ser ainda mais longo.

Segundo o Relatório Trimestral de Inflação do BC divulgado nesta quinta-feira, o IPCA ficará em 6,1 por cento neste ano pelo cenário de referência, ante previsão de 5,6 por cento, aproximando-se ainda mais do teto da meta do governo, de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O BC também piorou a sua estimativa para a inflação em 2015, a 5,5 por cento em 2015, um pouco acima da medida anterior (5,4 por cento) e projeta que ela fechará o primeiro trimestre de 2016 em 5,4 por cento, também pelo cenário de referência, que vê o dólar a 2,35 reais e Selic a 10,75 por cento.

Os riscos desse cenário, alertou a autoridade monetária, vêm "do comportamento das expectativas de inflação, impactadas negativamente nos últimos meses pelo nível da inflação corrente". Isso porque há dispersão de aumentos de preços e incertezas sobre os preços da gasolina e de alguns serviços públicos, como eletricidade.

Dentro desse contexto, o BC elevou suas estimativas para a alta nos preços administrados a 5 por cento em 2014 e 2015, 0,5 ponto percentual a mais do que a conta anterior. Especificamente para os preços de eletricidade neste ano, a projeção de alta passou a 9,5 por cento, ante 7,5 por cento.

"A esse respeito, o Comitê tem agido no sentido de fazer com que a elevada variação dos índices de preços observada nos últimos doze meses seja percebida pelos agentes econômicos como um processo de curta duração", trouxe o relatório. E acrescentou que esses efeitos "podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária".

Bastante questionado sobre o que levou a essa maior estimativa na tarifa de energia, como o plano para financiar os gastos com acionamento das térmicas por conta da atual estiagem, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, afirmou apenas que as contas se dão "com base nos instrumentos que temos".

Segundo ele, a inflação vai ceder, mas acrescentou que o horizonte de trabalho do BC, de 24 meses à frente, "não contempla convergência da inflação para a meta". O diretor também disse que a política fiscal é neutra e "não adiciona demanda agregada" em 2014 e em 2015.   Continuação...