Dólar cai quase 2% e vai a R$2,26 com pesquisa sobre governo Dilma

quinta-feira, 27 de março de 2014 17:24 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) - O dólar recuou quase 2 por cento ante o real nesta quinta-feira, indo à casa de 2,26 reais, após pesquisa mostrar queda na aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff, num momento em que os mercados mostram ceticismo em relação à condução da política econômica do país.

Ainda não está claro para os analistas, no entanto, se a moeda norte-americana deve se acomodar nesses níveis mais baixos. Alguns argumentam que a pesquisa não indica mudança significativa nas expectativas eleitorais, e que o mercado teve um movimento exagerado.

A moeda norte-americana recuou 1,75 por cento, a 2,2680 reais na venda, menor patamar em cerca de quatro meses. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 2,1 bilhões de dólares, acima da média diária vista neste mês até então, de 1,7 bilhão de dólares.

"Esse movimento (queda do dólar) é muito precoce, é muito recente. Olhando para os fundamentos, eu diria que o dólar deveria ficar em torno de 2,30 reais", opinou o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca.

Pesquisa CNI/Ibope mostrou pela manhã que a aprovação do governo da presidente Dilma caiu para 36 por cento em março, ante 43 por cento em novembro.

A CNI não divulgou pesquisa de intenção de voto para a eleição presidencial deste ano, quando Dilma tentará a reeleição. Nos últimos levantamentos de intenção de voto, ela segue na dianteira.

O resultado da pesquisa ajudou o dólar a ampliar as perdas ante o real vistas desde o início da sessão. Na primeira hora do pregão, prevaleceu o otimismo de investidores em relação a ativos emergentes e fluxos de entrada. Contudo, as perdas foram contidas nos primeiros negócios, diante de dúvidas sobre a disposição do Banco Central em permitir que a moeda norte-americana recuasse abaixo de 2,30 reais.

"O mercado, de uma maneira geral, vem reagindo mal às decisões da Dilma. Então se existe a perspectiva de uma mudança no quadro eleitoral, ele reage bem", disse o diretor de câmbio da corretora Pioneer, João Medeiros.   Continuação...