Bovespa tem maior alta em quase sete meses após pesquisa mostrar queda da aprovação de Dilma

quinta-feira, 27 de março de 2014 18:11 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) - A Bovespa teve sua maior alta em quase sete meses nesta quinta-feira, em um pregão de forte volume financeiro, com investidores indo às compras após pesquisa CNI/Ibope mostrar que a aprovação do governo de Dilma Rousseff caiu em março, apesar da presidente ainda manter liderança em pesquisas eleitorais.

O Ibovespa subiu 3,5 por cento, a 49.646 pontos, sua maior valorização desde 2 de setembro de 2013, quando avançou 3,65 por cento. O giro financeiro do pregão foi expressivo, de 10,4 bilhões de reais, ante volume médio diário neste ano de 6,37 bilhões de reais, segundo dados da BM&FBovespa.

As ações das estatais Eletrobras e Petrobras, que registraram suas maiores altas em quase 10 meses, e do Banco do Brasil apareceram entre as maiores valorizações do índice. Mas a bolsa teve alta generalizada, apesar da queda de Wall Street.

A pesquisa CNI/Ibope mostrou que o percentual dos que consideram o governo Dilma ótimo ou bom caiu para 36 por cento em março, ante 43 por cento em novembro do ano passado. A aprovação pessoal de Dilma e a confiança na presidente registraram a primeira queda desde julho de 2013.

O mercado, cético em relação à capacidade do governo de cumprir metas fiscais e ressentido com o gerenciamento das empresas estatais, reagiu bem ao resultado da pesquisa desta quinta-feira, mesmo após pesquisa de intenção de voto do Ibope na semana passada mostrar estabilidade na corrida presidencial e apontar vitória de Dilma no primeiro turno.

"A pesquisa trouxe uma 'mini-euforia'", disse o sócio da Zenith Asset Management Guilherme Sand. "Mas essa alta parece um pouco exagerada, pois a eleição ainda está muito longe, temos a Copa do Mundo pela frente e vários fatores podem tanto ajudar quanto prejudicar a Dilma", completou.

Para o economista Gustavo Mendonça, da Saga Capital, o movimento do mercado nesta quinta-feira refletiu a perspectiva de que a política econômica pode mudar no curto prazo devido à crescente desaprovação do governo e ao rebaixamento da nota da dívida soberana por parte da Standard & Poor's nesta semana.

"O rali só vai durar se realmente houver um fluxo de notícias dando suporte a essa crença", afirmou.   Continuação...