CPI da Petrobras só no Senado é mais favorável ao governo, dizem fontes

quinta-feira, 27 de março de 2014 18:21 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA, 27 Mar (Reuters) - Com a certeza de que já não tem como evitar uma investigação da Petrobras pelo Congresso, o governo prefere que a CPI pedida pela oposição se restrinja ao Senado, onde o ambiente político é mais favorável e o ímpeto de usar a comissão e ganhar os holofotes é menor do que na Câmara dos Deputados, afirmaram fontes do Palácio do Planalto.

Segundo essas fontes, que falaram sob condição de anonimato, ainda não há uma articulação em curso para apressar a instalação da CPI no Senado, mas esse é o melhor caminho para reduzir os danos da investigação ao governo, já que os aliados estariam mais coesos na Casa.

Na quarta-feira, mesmo sem forças para evitar o apoio inclusive de aliados para abrir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), o governo ainda tentou demover integrantes de partidos da base de assinar o requerimento argumentando que a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, e o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, iriam prestar explicações à duas comissões no Senado sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, no começo de abril. O esforço, porém, não surtiu efeito.

O requerimento para criação da CPI no Senado, com 28 assinaturas, foi apresentado pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) nesta quinta. O presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que "não há mais o que fazer" e indicou que instalará a CPI, informando que fará uma reunião com os líderes partidários para definir um calendário para o início dos trabalhos.

"O Senado é um espaço em que temos uma posição mais confortável, tem um debate menos passional. Acho que há boa parte de senadores em campanha e mais preocupados com seus Estados", disse o líder de um partido aliado à Reuters, pedindo para não ter seu nome revelado.

"No Senado, talvez as coisas não tenham o mesmo poder de causar estragos para o governo", acrescentou o parlamentar.

Uma das fontes do Palácio afirmou ainda que uma CPI apenas no Senado contribui para uma investigação mais restrita, já que há muitos senadores que fizeram indicações políticas para a estatal nos últimos governos.

"Há indicações políticas que costumamos apelidar de 'holding'. É quando o indicado político tem mais de um padrinho. Esses diretores da Petrobras estão nessa condição", argumentou a fonte citando o ex-diretor da estatal Paulo Roberto da Costa, preso na semana passada numa operação da Polícia Federal, e Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras que foi demitido da diretoria da BR Distribuidora, subsidiária da petroleira.   Continuação...