Dólar tem maior queda semanal quase 7 meses e vai a R$2,25

sexta-feira, 28 de março de 2014 20:15 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 28 Mar (Reuters) - O dólar fechou em baixa nesta sexta-feira, flertando com o patamar de 2,25 reais e encerrando a semana com a maior queda semanal em quase sete meses, após o resultado fiscal do país surpreender positivamente, mas com investidores ainda de olho na estratégia de intervenções do Banco Central.

A moeda norte-americana recuou 0,38 por cento, a 2,2594 reais na venda, após chegar a 2,2485 reais na mínima do dia. Na semana, recuou 2,88 por cento, maior queda semanal desde o início de setembro de 2013. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 2,8 bilhões de dólares, bem acima da média diária do mês de 1,7 bilhão de dólares.

"Os dados de superávit primário de hoje foram melhores do que o esperado, então isso deu ao mercado algum alívio de que as coisas podem estar melhorando", disse o analista da corretora SLW Pedro Galdi.

O setor público brasileiro registrou superávit primário de 2,130 bilhões de reais em fevereiro, quando a mediana das expectativas de analistas consultados pela Reuters apontava saldo negativo de 500 milhões de reais. O resultado trouxe uma dose de otimismo, ainda que não tenha mudado as perspectivas de que a meta ajustada de primário deste ano não será cumprida.

Desde o início do ano, a divisa dos EUA acumula queda de 4,16 por cento ante o real, após subir pouco mais de 15 por cento no ano passado. Segundo analistas, o alívio ocorre em função do fluxo cambial positivo diante de juros elevados no Brasil e do cenário menos pessimista no exterior.

Na véspera, o viés de queda se intensificou após pesquisa mostrar recuo na aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff, num momento em que os mercados se mostram céticos sobre a condução da política econômica do país. Com isso, rompeu o nível de 2,30 reais, que alguns analistas acreditavam tratar-se de um piso informal.

"Agora que já passou a preocupação com o rebaixamento do rating brasileiro e a redução das compras de títulos nos Estados Unidos, há muito menos fatores pressionando o dólar para cima. É esperar para ver se o BC está confortável com isso", disse o economista-chefe da corretora BGC Liquidez, Alfredo Barbutti, sem descartar contudo a uma correção no curto prazo.

Ao mesmo tempo, investidores voltaram a atenção para as intervenções do BC e, principalmente, à rolagem dos swaps cambiais, equivalentes a venda futura de dólares, que vencem em abril.   Continuação...