Colômbia aposta em crescimento de 6% nos próximos anos

sábado, 29 de março de 2014 18:37 BRT
 

Por Walter Brandimarte

COSTA DO SAUÍPE, 29 Marc (Reuters) - A Colômbia está apostando em um programa de infraestrutura de 25 bilhões de dólares para aumentar o seu crescimento anual para 6 por cento nos próximos dois ou três anos, mas o banco central ainda não está pronto para remover as medidas de estímulo monetário, disse o ministro das Finanças, Maurício Cardenas, neste sábado.

As perspectivas da economia da Colômbia vem melhorando nos últimos meses, com o crescimento de 4,3 por cento em 2013. Cardenas estima que o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer pelo menos 4,7 por cento em 2014 e mais ainda nos anos seguinte assim que o programa de concessão governamental para a construção de estradas ganhar fôlego.

O cenário encorajador ajudou a aumentar os preços das ações da Colômbia para a maior marca em quatro meses e também a cotação do peso para dois meses seguidos em alta, potencialmente prejudicando a competitividade de manufaturas e do setor agrícola. Cardenas, que representa o governo no "board" do banco central, sinalizou que o banco ainda não está pronto para apertar a política monetária depois de manter a taxa de empréstimo pelo décimo-segundo mês seguido em 21 de março.

"Ainda achamos que a economia precisa de estímulo", disse à Reuters, durante uma reunião da IADB, em um resort a 74 quilômetros ao norte de Salvador. "Naturalmente, quando o aumento do PIB voltar ao seu potencial, certamente vamos também normalizar a política monetária. Quando isso vai acontecer é incerto".

Em contraste com outras economias de mercados emergentes, que estão sofrendo com a saída de dólares porque o Federal Reserve, obanco central dos Estados Unidos, apertou as suas políticas de estímulo monetário, a Colômbia está conseguindo atrair dinheiro novo para o seu mercado de crédito, além de continuar a atrair investimento externo. Isso transformou o peso em uma das melhores moedas dos mercados emergentes nos últimos anos. Ele fechou, na última sexta-feira, a 1,965 em relação a dólar, próximo de 1,960, nível que Cardenas ainda considera "mais ou menos uma taxa de câmbio equilibrada".

O ministro admitiu que a valorização do peso causa "problemas para setores específicos, como manufaturas e agricultura", mas sublinhou a vontade do governo de administrar a taxa de câmbio "com instrumentos limitados", como a acumulação de reservas estrangeiras.

"Então precisamos aumentar a compra de moedas estrangeiras, mas o que não vamos fazer é apelar para mecanismos que não são amigáveis ao mercado, como controle de capital", disse.

Perguntado se o governo poderia recuar e aumentar impostos em portfólios de investimentos o ministro foi claro.

"Não vamos mudar essa taxa", disse, apontando que a redução foi parte de uma complexa reforma fiscal aprovada pelo Congresso.