Economistas passam a ver 2 altas seguidas na Selic e pioram cenário para inflação, mostra Focus

segunda-feira, 31 de março de 2014 13:40 BRT
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 31 Mar (Reuters) - Com a pressão sobre os preços ainda mostrando resistência, economistas de instituições financeiras passaram a enxergar que o atual ciclo de aperto monetário vai ser mais longo, indo até maio, ao mesmo tempo em que pioraram seu cenário para a inflação neste ano pela quarta semana seguida.

Pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira mostrou cenário ainda mais pesado para a Selic via Top-5 de médio prazo, instituições que mais acertam as projeções, com apostas de que a taxa básica de juros vai ser elevada até julho.

Segundo o Focus, pela mediana das projeções, os economistas cravaram as apostas de mais uma elevação de 0,25 ponto percentual na Selic nesta semana, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente, mantendo a expectativa de que a Selic encerrará este ano a 11,25 por cento. Mas mudaram para maio a projeção da segunda alta de 0,25 ponto, e não mais em dezembro como mostrava a pesquisa anterior.

Hoje, a Selic está em 10,75 por cento, sendo que o BC já a elevou em 3,5 pontos percentuais desde abril com o objetivo de combater os preços altos.

Na semana passada, o próprio BC piorou seu cenário para a inflação neste ano devido aos preços administrados, a 6,1 por cento, aproximando-se ainda mais do teto da meta do governo, de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O movimento do BC desencadeou mudanças nas expectativas do mercado, com mais altas na Selic. Pesquisa da Reuters feitas após a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação do BC apontou que todos os 62 economistas consultados esperam que o BC suba a Selic agora em 0,25 ponto percentual. E 30 de 54 veem nova elevação em maio, para 11,25 por cento.

A maioria espera que a Selic permaneça nesse nível até o fim do ano, mas muitos não descartam novas altas se a inflação não ceder.

O Focus mostrou também que o Top 5 de médio prazo passou a estimar a taxa a 12,00 por cento no final do ano, ante 11,75 por cento na semana anterior. O detalhamento das projeções mostra que o grupo vê altas de 0,25 ponto em abril, maio e julho, com a Selic subindo então a 11,63 por cento em outubro e a 12 por cento em dezembro.   Continuação...

 
Um homem sai da sede do Banco Central em Brasília. Com a pressão sobre os preços ainda mostrando resistência, economistas de instituições financeiras passaram a enxergar que o atual ciclo de aperto monetário vai ser mais longo, indo até maio, ao mesmo tempo em que pioraram seu cenário para a inflação neste ano pela quarta semana seguida. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino