2 de Abril de 2014 / às 19:04 / 3 anos atrás

Exportação de carnes do Brasil pode crescer mais por problemas em concorrentes

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 2 Abr (Reuters) - Os exportadores de carnes do Brasil, que já trabalham com expectativa de vendas recordes em 2014, podem ver embarques ainda maiores por diversos problemas recentes que afetam os concorrentes no mercado internacional, o que deve favorecer o país, apontaram especialistas e representantes do setor.

Fornecedores importantes como Estados Unidos enfrentam problemas que afetam os preços e oferta de carnes bovina e suína.

Já a Rússia, relevante importador global, pode ampliar compras do produto brasileiro em meio a sanções dos EUA e da União Europeia diante da crise com a anexação da Crimeia.

“A crise russa termina sendo favorável, a longo prazo, para a suinocultura e a avicultura, porque com certeza distancia um pouco os principais fornecedores, que são os Estados Unidos, e é natural que aproxime os brasileiros”, disse o presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra.

A Rússia, que já é um dos principais destinos para as carnes do Brasil, restringiu recentemente as compras de carne bovina da Austrália, que juntamente com Brasil e Estados Unidos são os maiores exportadores globais do produto.

Os russos também colocam restrições a cortes suínos e bovinos norte-americanos, por conta do aditivo ractopamina.

Além das restrições russas, os EUA ainda têm que lidar com problemas internos.

A oferta de suínos norte-americana poderá ser “fortemente” limitada em função da propagação do vírus da diarreia suína epidêmica.

Turra explica que o primeiro reflexo da doença nos EUA é uma migração do consumo de carne suína para a carne de aves no país, uma vez que os cortes suínos tendem a ficar mais caros.

O Brasil não exporta carne de frango para os EUA, que são grandes produtores, mas esta alteração na dinâmica de consumo terá reflexos para os exportadores brasileiros.

“Vendendo mais internamente, os Estados Unidos aliviam a pressão exportadora para alguns mercados. Necessariamente, quem pode ocupar (este espaço) porque tem volume é o Brasil”, disse o executivo.

Por ora, a ABPA (associação criada recentemente a partir da união de exportadores de carne de aves e suína) mantém a expectativa de aumento de 4 por cento nos embarques de carne de frango, para atingir recorde no volume exportado pelo país, mas segue monitorando os desdobramentos no mercado externo.

“Também continuamos acreditando que a receita vai melhorar... mas talvez não tanto quanto poderia, por conta das oscilações do câmbio”, previu Turra.

Ele acrescentou que o Brasil também deve ocupar espaços que eventualmente apareçam na esteira destes problemas com o rebanho suíno. Lembrou que o problema é grave não só nos EUA, mas também no Canadá e México. O México, por exemplo, já começou a comprar mais carne de frango do Brasil.

“Mas precisamos manter vigilância absoluta e condições para manter o status sanitário que impeça a entrada do vírus no Brasil”, disse.

CARNE BOVINA

As sanções econômicas feitas pelos Estados Unidos e União Europeia direcionados à Rússia em função da recente crise na Crimeia também poderão ter reflexo nas vendas de carne bovina.

“Acreditamos que todas as proteínas poderão ter uma demanda maior para compensar as tradicionais exportações do bloco europeu e dos EUA”, disse o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina (Abiec), Antônio Camardelli, em entrevista ao chat Trading Brasil, da Thomson Reuters, nesta quarta-feira.

A Abiec estima embarques e receita recordes em 2014.

Ao mesmo tempo, a carne bovina segue com preços elevados no mercado norte-americano, ainda refletindo a diminuição do rebanho ao menor nível em décadas por conta de uma severa seca no país em 2012.

Este cenário acaba comprometendo a capacidade de exportação de carne bovina, por conta da perda de competitividade do país frente aos concorrentes.

Na avaliação da analista da INTL FC Stone, Lygia Pimentel, porém, esta situação nos EUA pode ter impacto mais no médio do que no curto prazo, uma vez que os norte-americanos exportam para mercados que o Brasil ainda não tem acesso.

“No curtíssimo prazo, a mudança não é tão ágil. Mas no médio e longo prazo, o que vivemos hoje é positivo para o Brasil, porque demos entrada em processos de exportação para outros países que vão se intensificar em um a três anos”, disse a analista.

De toda forma, acrescentou Lygia, Rússia e China retomando compras de carne bovina do Brasil e União Europeia aumentando embarques já são reflexos de uma maior competitividade do Brasil no mercado internacional.

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