Infraero precisará de ajuda temporária do governo federal após concessões, diz presidente

quarta-feira, 2 de abril de 2014 19:00 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO (Reuters) - A Infraero precisará de ajuda do governo federal para o custeio de cerca de 300 milhões de reais anuais ao longo dos próximos três anos, devido à concessão dos aeroportos de Confins, em Belo Horizonte, e do Galeão, no Rio de Janeiro, à iniciativa privada, afirmou o presidente da estatal, Gustavo do Vale, nesta quarta-feira.

Segundo ele, a redução da participação controladora da Infraero nos dois aeroportos após a concessão, vai exigir ajuda do governo federal para o reequilíbrio das contas da estatal até que ela comece a receber os dividendos dos parceiros que assumiram os terminais.

Após as concessões, a participação da Infraero nos aeroportos caiu para 49 por cento. O aeroporto de Galeão foi vencido por consórcio integrado pela Odebrecht Transport e Confins por grupo liderado pela CCR.

Além de Galeão e Confins, o governo concedeu à iniciativa privada os terminais de Viracopos (SP), Guarulhos (SP) e Brasília, que também eram administrados pela Infraero. "São cinco aeroportos dos mais importantes para nós e teremos uma perda de receita significativa", disse do Vale à Reuters.

De acordo com ele, a partir de agosto, quando será efetivada a transferência do controle de Galeão e Confins à iniciativa privada, a Infraero começará a contabilizar perdas de receita. A receita da empresa com Confins e Galeão atualmente é de 400 milhões de reais, o equivalente a 20 por cento do faturamento total da estatal.

O executivo ponderou que apesar da redução nos custos da autarquia por conta também das concessões, a ajuda financeira do governo federal será necessária.

A forma como essa ajuda poderá ser dada à Infraero ainda não foi definida. "Estamos estudando uma solução com Ministério do Planejamento, Casa Civil e Secretaria de Aviação Civil para que a Infraero consiga se sustentar do ponto de vista de custeio", disse do Vale.

O presidente da Infraero lembrou que após as concessões, a estatal continuará com o controle de 61 aeroportos. Destes, 45 são deficitários, segundo ele. As empresas de navegação aérea do país permanecem com a Infraero e também são deficitárias. "São 91 unidades de navegação e todas são deficitárias", disse.   Continuação...