2 de Abril de 2014 / às 23:09 / 3 anos atrás

BC eleva Selic a 11% e indica que fim de ciclo de aperto está próximo

BRASÍLIA, 2 Abr (Reuters) - Ao completar um ano do início do ciclo de aperto monetário para combater a inflação, o Banco Central elevou nesta quarta-feira pela nona vez seguida a taxa básica de juros, a 11 por cento ao ano, e indicou que o ciclo pode estar perto do fim.

A alta de 0,25 ponto percentual na Selic foi a segunda seguida nesta intensidade, mas o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) foi bastante alterado.

No comunicado, o Copom disse que "decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic em 0,25 p.p." e que "irá monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária".

O aumento da taxa básica de juros era amplamente esperada pelo mercado, mas a mudança no teor do comunicado surpreendeu.

"Para uma mensagem breve e lacônica,(houve)bastante alteração de sinalização. Na próxima reunião (em maio)deve haver nova alta, se não houver surpresa, mas a continuidade do ciclo para além disto fica improvável. Afinal, são muitas as ressalvas e condicionantes", afirmou em nota o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves.

Pesquisa da Reuters mostrou que todos os 62 analistas consultados esperavam alta de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião desta semana.

Até então, o BC iniciava os comunicados sobre a Selic com a expressão "dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros".

A autoridade monetária iniciou o atual ciclo de aperto em abril passado, quando tirou a Selic da mínima histórica de 7,25 por cento, para tentar domar a escalada dos preços.

O cenário atual de inflação ainda continua adverso, sem sinais de que está cedendo, pressionada por preços dos alimentos em meio a problemas climáticos e ante a expectativa de elevação de preços administrados, principalmente da energia elétrica.

Na semana passada, o BC elevou sua estimativa de alta dos preços administrados em 0,5 ponto percentual, para 5 por cento, neste e no próximo ano. A autoridade monetária também elevou sua expectativa para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano a 6,1 por cento, aproximando-a ainda mais do teto da meta oficial, de 4,5 por cento, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Por conta disso, boa parte dos agentes econômicos chegou a ver mais uma alta de 0,25 ponto percentual na Selic em maio. Muitos, inclusive, não descartavam que o ciclo de aperto poderia se estender ainda mais.

"Eu não esperava que o BC fizesse qualquer tipo de alteração no comunicado, porque desde a última reunião do Copom houve piora na expectativa de inflação e maiores pressões de preços vindo de alimentos", disse o economista-chefe da Mauá Sekular, Alessandro del Drago, acrescentando que mudou sua visão e agora acredita que, em maio, a Selic será mantida em 11 por cento, encerrando o atual ciclo de aperto.

Reportagem de Luciana Otoni e Alonso Soto, em Brasília; e Tiago Pariz, em São Paulo

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