3 de Abril de 2014 / às 20:14 / 3 anos atrás

Dólar sobe e vai a R$2,28, à espera de dados de emprego nos EUA

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 3 Abr (Reuters) - O dólar fechou em alta ante o real nesta quinta-feira, pelo segundo dia seguido, acompanhando as oscilações da divisa norte-americana no exterior e com os investidores aguardando dados de emprego nos Estados Unidos, que serão divulgados no dia seguinte e podem pavimentar o caminho para mudanças na política monetária da maior economia do mundo.

A moeda dos EUA avançou 0,54 por cento, a 2,2825 reais na venda, após fechar a véspera com alta de 0,30 por cento. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,3 bilhão de dólares.

“A questão dos juros nos EUA vai ser o ‘background’ dos mercados por enquanto, enquanto a gente espera o ‘payroll’”, disse o gerente de operações do banco Confidence, Felipe Pellegrini.

Nesta sexta-feira, será divulgado o relatório de emprego nos Estados Unidos e a expectativa é de dados positivos, com a criação de 200 mil novos postos de trabalho em março, acima dos 175 mil no mês anterior.

Esse cenário de recuperação da atividade, caso confirmado, pode abrir espaço para que o Federal Reserve, banco central do país, eleve os juros mais cedo do que se esperava. Isso, por sua vez, poderia atrair para os EUA recursos atualmente aplicados em países como o Brasil.

Também contribuiu para a alta do dólar a expectativa de que o Banco Central brasileiro não suba mais os juros, após elevar na véspera a Selic em 0,25 ponto percentual, a 11 por cento, e indicar fim do aperto monetário.

“Um pouco menos de juros significa um pouco menos de entradas (de dólares no país)”, afirmou o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flavio Serrano.

Investidores também voltavam a comprar dólares após as fortes quedas recentes, que testaram possível piso informal de 2,25 reais. A tese deles é de que, apesar de ajudar o combate a inflação, o dólar mais barato prejudica as exportações e, portanto, desagradaria o governo.

No mês passado, o dólar acumulou a maior queda mensal em seis meses, fechando o primeiro trimestre deste ano com baixa de quase 4 por cento. Esse movimento veio em meio a expectativas de ingressos de recursos atraídos pelas elevadas taxas de juros no Brasil e .

Segundo analistas, as preocupações com a política monetária norte-americana devem ganhar força nos próximos meses e ajudarão a moeda dos EUA a retomar a trajetória de ganhos ante o real.

“Essa queda recente é um respiro, não uma tendência. Conforme os dados dos EUA forem melhorando, o viés é que a pressão aqui aumente”, disse o operador de uma corretora nacional.

Pela manhã, o BC deu continuidade às intervenções diárias, vendendo a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Foram 1,5 mil contratos para 1º de dezembro deste ano e 2,5 mil para 2 de março de 2015, com volume equivalente a 197,8 milhões de dólares.

Após o fechamento, a autoridade monetária anunciou a realização de leilão com as mesmas características do oferecido nesta sessão, mas divulgou também o início da rolagem de contratos que vencem em 2 de maio.

Na rolagem, serão ofertados até 10 mil contratos com vencimentos em 2 de janeiro e 1º de abril do ano que vem.

Lá fora, o dólar também subia frente a outras moedas emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano. “O que pode ser é apenas o posicionamento de risco antes do relatório de emprego (nos EUA)”, disse a estrategista-chefe para América Latina da banco de investimento Jefferies, em Nova York, Siobhan Morden.

A moeda norte-americana também tinha valorização ante o euro, após o Banco Central Europeu (BCE) informar que está pronto para usar diferentes ferramentas de política monetária se a inflação permanecer muito baixa por tempos demais, apesar de ter mantido as taxas de juros agora.

Reportagem adicional de Asher Levine

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