Autoridades europeias se alinham contra afrouxamento de meta da França

sábado, 5 de abril de 2014 11:07 BRT
 

BERLIM, 5 Abr (Reuters) - O principal candidato conservador à presidência da Comissão Europeia e o chefe do Bundesbank alemão vieram a público para dizer que são contra a concessão de mais tempo para a França diminuir o seu déficit, alertando que tal medida seria um perigoso precedente para outros países na União Europeia.

Jean-Claude Juncker, ex-primeiro-ministro de Luxemburgo e que foi durante muito tempo chefe do fórum Eurogroup de ministros das finanças da zona do euro, afirmou em Berlim que a França não deve ter "tratamento especial" novamente depois de ter recebido, no ano passado, mais dois anos para atingir metas de déficit.

A França, cujo déficit ficou em 4,3 por cento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2013, sinalizou que deseja renegociar o atual prazo de 2015 para reduzir o valor a 3 por cento.

O ministro das Finanças da França, Michel Sapin, deve viajar para Berlim na segunda-feira para tentar obter mais margem de manobra.

"A França deve obedecer às mesmas regras de Chipre, Malta e todos os outros", afirmou Juncker, candidato de centro-direita ao maior posto da Comissão Europeia depois das eleições parlamentares de maio, durante congresso do Partido Cristão Democrata (CDU), da chanceler Angela Merkel. "Eu não acho que a França deve receber tratamento especial novamente."

O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, disse ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung que o pedido é uma "questão séria", vindo de um país que deveria servir de exemplo para a Europa.

"Deveríamos deixar claro para a França quais são as suas responsabilidades", afirmou Weidmann, repercutindo comentários de Olli Rehn, comissário europeu para assuntos econômicos e monetários, que disse ao mesmo jornal alemão que as regras não eram "brincadeira".

(Reportagem de Andreas Rinke)