ENTREVISTA-Para Rehn, não há motivos para dar mais tempo à França

sábado, 5 de abril de 2014 13:11 BRT
 

Por Jan Strupczewski

BRUXELAS, 5 Abr (Reuters) - Não há motivos para estender o prazo dado pela União Europeia à França para que o país corte o seu déficit no orçamento, afirmou neste sábado a maior autoridade econômica da UE, acrescentando que os políticos deveriam aprender as lições da crise dos países do continente e seguir as regras estabelecidas.

Em junho do ano passado, Paris ganhou mais dois anos para derrubar seu déficit para o teto da UE, de 3 por cento do PIB (Produto Interno Bruto). O bloco espera que, neste ano, o número fique em 4 por cento.

Mas, após uma reformulação no governo nesta semana, a França afirmou que, embora concorde que o déficit precisa cair, pretende discutir o prazo novamente, já que cortes menos agressivos ajudarão a economia a crescer.

Sob novas regras orçamentárias da União Europeia, tornadas mais rígidas durante a crise da dívida, se um país ignorar os prazos de redução decididos pelo bloco, pode ser imediatamente multado.

O comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Olli Rehn, única pessoa que pode propor uma revisão do prazo, afirmou que não há espaço para tal medida.

"Se eu olhar para o Pacto de Estabilidade e Crescimento, uma nova extensão do prazo só seria justificada se houvesse acontecimentos econômicos adversos e inesperados, com consequências grandemente desfavoráveis para as finanças governamentais", disse Rehn à Reuters.

"Eu não vejo acontecimentos tão adversos desde junho passado. Pelo contrário, a economia da zona do euro tem se fortalecido, tem se recuperado", acrescentou.

O déficit da França ficou fora da meta no ano passado, em 4,3 por cento do PIB, segundo dados divulgados na segunda-feira. O objetivo era alcançar 4,1 por cento.   Continuação...