5 de Abril de 2014 / às 16:13 / em 4 anos

ENTREVISTA-Para Rehn, não há motivos para dar mais tempo à França

Por Jan Strupczewski

BRUXELAS, 5 Abr (Reuters) - Não há motivos para estender o prazo dado pela União Europeia à França para que o país corte o seu déficit no orçamento, afirmou neste sábado a maior autoridade econômica da UE, acrescentando que os políticos deveriam aprender as lições da crise dos países do continente e seguir as regras estabelecidas.

Em junho do ano passado, Paris ganhou mais dois anos para derrubar seu déficit para o teto da UE, de 3 por cento do PIB (Produto Interno Bruto). O bloco espera que, neste ano, o número fique em 4 por cento.

Mas, após uma reformulação no governo nesta semana, a França afirmou que, embora concorde que o déficit precisa cair, pretende discutir o prazo novamente, já que cortes menos agressivos ajudarão a economia a crescer.

Sob novas regras orçamentárias da União Europeia, tornadas mais rígidas durante a crise da dívida, se um país ignorar os prazos de redução decididos pelo bloco, pode ser imediatamente multado.

O comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Olli Rehn, única pessoa que pode propor uma revisão do prazo, afirmou que não há espaço para tal medida.

“Se eu olhar para o Pacto de Estabilidade e Crescimento, uma nova extensão do prazo só seria justificada se houvesse acontecimentos econômicos adversos e inesperados, com consequências grandemente desfavoráveis para as finanças governamentais”, disse Rehn à Reuters.

“Eu não vejo acontecimentos tão adversos desde junho passado. Pelo contrário, a economia da zona do euro tem se fortalecido, tem se recuperado”, acrescentou.

O déficit da França ficou fora da meta no ano passado, em 4,3 por cento do PIB, segundo dados divulgados na segunda-feira. O objetivo era alcançar 4,1 por cento.

A HISTÓRIA SE REPETINDO?

A situação tem semelhança com uma polêmica ocorrida há dez anos, quando França e Alemanha impediram que o braço executivo da UE impusesse ações disciplinares contra as duas nações, mesmo após elas terem falhado na hora de alcançar a meta da época. Essa disputa causou a diluição das regras orçamentárias do bloco em 2005.

Muitos políticos acreditam que esse “pecado original” das duas maiores economias da zona do euro foi a base para a crise da dívida que começou em 2010, quando a Grécia revelou quão insustentável era o seu sistema de finanças públicas. O déficit grego chegou a 15,7 por cento do PIB em 2009.

Perguntado se havia o risco de um país importante como a França minar as novas e mais rígidas regras, Rehn afirmou: “Exatamente porque os políticos da zona do euro são cientes do risco e devemos aprender as lições, precisamos nos certificar de que respeitaremos as novas regras do Pacto”.

A Alemanha, agora, está do lado oposto da França. Segundo Rehn, é para o próprio bem francês que a nação cumpra a meta.

“A história econômica recente mostra que, aqueles que cuidaram bem das finanças públicas, são economias mais fortes e que crescem mais”, disse. “Olhe para a Alemanha e países que reformaram suas finanças mais rapidamente, como Irlanda, Letônia ou até a Espanha. Você vê que uma mudança na política fiscal traz melhores resultados do que deixar as coisas acontecerem.”

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