Dólar tomba a R$2,22, menor nível em 6 meses, com pesquisa eleitoral e BC

segunda-feira, 7 de abril de 2014 18:38 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 7 Abr (Reuters) - O dólar recuou fortemente nesta segunda-feira e fechou no patamar de 2,22 reais, menor nível desde o fim de outubro passado, com a constante atuação do Banco Central no mercado e após pesquisa mostrar queda na intenção de votos da presidente Dilma Rousseff para as eleições de outubro.

É o segundo dia consecutivo em que o tombo da moeda supera 1 por cento, levando os agentes do mercado a acreditar que o patamar de 2,20 reais pode ser furado, tornando-se um aliado ainda maior no combate à inflação elevada. Mas, acrescentam, é cedo para afirmar que o dólar se firmaria neste nível.

A divisa norte-americana recuou 1,06 por cento, a 2,2200 reais na venda, após fechar a sessão anterior com baixa de 1,70 por cento. É o nível mais baixo no fechamento desde 30 de outubro, quando terminou o dia a 2,1920 reais.

Na mínima deste pregão, o dólar chegou a 2,2125 reais na venda. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,4 bilhão de dólares.

"Em condições normais, não haveria por que o mercado testar os 2,20 reais, mas com o atual humor e o BC continuando a vender dólar, é para lá que estamos caminhando", disse o operador de câmbio de um importante banco nacional.

A moeda norte-americana vem recuando fortemente nas últimas semanas em meio à melhora no apetite global por ativos de mercados emergentes e o quadro de fluxo cambial positivo no Brasil. Diante dessas perdas, o banco JPMorgan revisou sua projeção para a cotação do fim deste ano para 2,40 reais, ante previsão de 2,50 reais.

O mercado se questiona, no entanto, se o dólar tem fôlego para furar a barreira dos 2,20 reais e se sustentar naquele nível. As perspectivas econômicas do Brasil seguem preocupantes e tendem a pressionar a moeda para cima, mas a principal dúvida é se o BC permitirá que a divisa dos EUA fique ainda mais barata, possivelmente prejudicando as exportações.

"Se o BC continua vendendo dólares nesse patamar, o mercado interpreta que ele ainda está confortável com essa taxa de câmbio e abre espaço para que o mercado continue testando novos pisos", afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.   Continuação...