10 de Abril de 2014 / às 12:37 / 3 anos atrás

BC vê mais inflação, diz que deve ser "vigilante" e aponta fim do aperto monetário

Uma bandeira do Brasil vista do lado de fora da sede do Banco Central, em Brasília. Ao mesmo tempo em que elevou suas projeções para a inflação neste e no próximo ano, o Banco Central defendeu que a política monetária deve permanecer "vigilante", enfraquecendo a expressão "especialmente" usada até então, e entende que uma fatia importante dos efeitos do atual ciclo de aperto monetário na inflação "ainda está por se materializar". 15/01/2014Ueslei Marcelino

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 10 Abr (Reuters) - Ao mesmo tempo em que elevou suas projeções para a inflação neste e no próximo ano, o Banco Central defendeu que a política monetária deve permanecer "vigilante", enfraquecendo a expressão "especialmente" usada até então, e entende que uma fatia importante dos efeitos do atual ciclo de aperto monetário na inflação "ainda está por se materializar".

Segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira, as decisões futuras do BC serão definidas "com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas".

As ressalvas feitas pela autoridade monetária sinalizam, na visão de parte dos especialistas, que o atual ciclo de aperto monetário será interrompido no mês que vem, mesmo com os preços ainda pressionados.

"A intenção (do BC) é nitidamente dizer que não há mais nada em curso (sobre a política monetária)", afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, para quem a Selic será mantida no atual patamar de 11 por cento em maio, na próxima reunião do Copom.

O BC ressaltou que a inflação ainda é resistente, tem se mostrado "ligeiramente" acima do esperado e que, nesse quadro, insere-se a expectativa de inflação dos agentes econômicos.

"Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido. Dessa forma, o Copom entende ser apropriado ajustar as condições monetárias", segundo a ata.

No documento anterior, o BC defendia que era "apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso".

Na semana passada, ao completar um ano do início do aperto monetário para combater a inflação, o BC elevou pela nona vez seguida a taxa básica de juros e indicou que o ciclo poderia estar perto do fim ao mudar seu comunicado.

A autoridade monetária informou naquele momento, e repetiu na ata agora, que vai "monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária".

"(A ata) corrobora a visão de que eles estão preparando o final do ciclo de ajuste... A grande pergunta aqui é se ela continua sendo atual e relevante depois da inflação (medida pelo IPCA em março). Na minha opinião, continua sim", afirmou o economista do BBVA, Enestor dos Santos. Ele também acredita que a Selic será mantida em 11 por cento no mês que vem.

Em março, o IPCA subiu 0,92 por cento, maior alta para o mês em 11 anos e acima do esperado. O BC vê o IPCA neste ano a 6,1 por cento, chegando mais próximo do teto da meta oficial, que é de 4,5 por cento com tolerância de dois pontos para mais ou menos.

No fim da quarta-feira, o presidente do BC, Alexandre Tombini, já tinha dado sinais de que mais altas nos juros não devem ocorrem. Em entrevista ao Jornal Nacional, disse que há mais equilíbrio entre oferta e demanda.

INFLAÇÃO MAIOR

O Copom também piorou sua perspectiva para a inflação neste e no próximo ano, ainda permanecendo acima da meta, pelo cenário de referência, que leva em conta o dólar a 2,30 reais e Selic a 10,75 por cento ao ano.

Sobre os preços administrados, a projeção é de alta de 5 por cento tanto em 2014 quanto em 2015, como já havia calculado em seu último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado no fim do mês passado.

Ainda de acordo com a ata, a perspectiva é de reajuste de 9,5 por cento na tarifa de eletricidade neste ano, mas o Copom retirou desta vez as indicações sobre os preços da gasolina em 2014 que, até então, eram de estabilidade. "Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível", segundo o documento.

O BC citou os preços de alimentos, mas de forma temporária, e o câmbio como fontes de pressão inflacionária. Segundo a ata, a "depreciação cambial, em que pese acomodação recentemente observada, constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos".

Só neste ano, até a véspera, o dólar recuo quase 7 por cento sobre o real, praticamente anulando metade do avanço que a moeda norte-americana em 2013 todo, de 15 por cento.

"O BC mudou para usar o câmbio como ferramenta para combater a inflação... A taxa de câmbio é, sem dúvida, mais eficaz do que os juros para evitar que a inflação ultrapasse o teto da meta antes da eleição de outubro", afirmou o estrategista do Citi, Kenneth Lam, em relatório.

O cenário macroeconômico do Brasil não é dos mais animadores neste ano, quando a presidente Dilma Rousseff tentará a reeleição, com expectativas de desaceleração da atividade.

Reportagem adicional de Silvio Cascione, em Brasília

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