BC vê mais inflação, diz que deve ser "vigilante" e aponta fim do aperto monetário

quinta-feira, 10 de abril de 2014 13:18 BRT
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 10 Abr (Reuters) - Ao mesmo tempo em que elevou suas projeções para a inflação neste e no próximo ano, o Banco Central defendeu que a política monetária deve permanecer "vigilante", enfraquecendo a expressão "especialmente" usada até então, e entende que uma fatia importante dos efeitos do atual ciclo de aperto monetário na inflação "ainda está por se materializar".

Segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira, as decisões futuras do BC serão definidas "com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas".

As ressalvas feitas pela autoridade monetária sinalizam, na visão de parte dos especialistas, que o atual ciclo de aperto monetário será interrompido no mês que vem, mesmo com os preços ainda pressionados.

"A intenção (do BC) é nitidamente dizer que não há mais nada em curso (sobre a política monetária)", afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, para quem a Selic será mantida no atual patamar de 11 por cento em maio, na próxima reunião do Copom.

O BC ressaltou que a inflação ainda é resistente, tem se mostrado "ligeiramente" acima do esperado e que, nesse quadro, insere-se a expectativa de inflação dos agentes econômicos.

"Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido. Dessa forma, o Copom entende ser apropriado ajustar as condições monetárias", segundo a ata.

No documento anterior, o BC defendia que era "apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso".

Na semana passada, ao completar um ano do início do aperto monetário para combater a inflação, o BC elevou pela nona vez seguida a taxa básica de juros e indicou que o ciclo poderia estar perto do fim ao mudar seu comunicado.   Continuação...

 
Uma bandeira do Brasil vista do lado de fora da sede do Banco Central, em Brasília. Ao mesmo tempo em que elevou suas projeções para a inflação neste e no próximo ano, o Banco Central defendeu que a política monetária deve permanecer "vigilante", enfraquecendo a expressão "especialmente" usada até então, e entende que uma fatia importante dos efeitos do atual ciclo de aperto monetário na inflação "ainda está por se materializar". 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino