Fitch quer que próximo governo do Brasil ajuste políticas fiscais

quinta-feira, 10 de abril de 2014 15:23 BRT
 

Por Walter Brandimarte

RIO DE JANEIRO, 10 Abr (Reuters) - A agência de classificação de risco Fitch Ratings informou nesta quinta-feira esperar que o próximo governo brasileiro realize ajustes que melhorem o desempenho fiscal e a confiança dos investidores para manter a sua atual nota, evitando rebaixamento.

Em teleconferência com investidores, a analista da Fitch Shelly Shetty disse que as baixas taxas de crescimento e a deterioração nas contas fiscais são as principais preocupações sobre o Brasil, que continua classificado como "BBB", com perspectiva estável.

As declarações dela sugerem que a Fitch está disposta a dar o benefício da dúvida ao próximo presidente brasileiro, que será escolhido em outubro. Elas também podem ajudar a aliviar temores de que o Brasil vai em breve sofrer outro rebaixamento, após a decisão da Standard & Poor's de cortar o rating do país no mês passado para a faixa mais baixa da categoria de grau de investimento.

"Acreditamos que a deterioração nos fundamentos de crédito que vimos até agora no Brasil está amplamente dentro do nível de tolerância do rating BBB", disse ela.

Nos próximos anos, entretanto, a Fitch quer ver ajustes para "atrair investimento privado e melhorar a confiança, que tem sido afetada devido às incertezas políticas."

Sem melhorar a taxa de investimento, será "muito difícil" para o Brasil crescer ao ritmo de cerca de 4 por cento por ano, disse Shelly.

A economia brasileira não consegue apresentar expansão acima de 3 por cento desde que a presidente Dilma Rousseff assumiu em 2011. Neste ano, a expectativa é de crescimento abaixo de 2 por cento mesmo sediando a Copa do Mundo, que a Fitch acredita terá impacto "insignificante" sobre a atividade.

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