CNC sugere que Brasil venda estoques públicos de café por quebra de safra

sexta-feira, 11 de abril de 2014 14:35 BRT
 

SÃO PAULO, 11 Abr (Reuters) - Representantes do setor produtivo de café sugeriram nesta semana a integrantes dos ministérios da Fazenda e Agricultura que o Brasil venda os estoques governamentais do produto que atualmente somam cerca de 1,6 milhão de sacas.

Eventuais vendas poderiam evitar grande volatilidade de preços em um ano em que o Brasil, o maior produtor e exportador global de café, sofre uma das maiores perdas de produção por conta da severa seca do início do ano.

"Em contato com os ministérios da Fazenda e da Agricultura, seguindo orientação das lideranças do setor produtivo, sugerimos que os governantes façam uso dos estoques públicos como reguladores de preço, evitando grandes volatilidades e, consequentemente, perdas acentuadas a produtores, exportadores e industriais", disse o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, em nota.

Os contratos futuros do café atingiram o maior patamar em mais de dois anos nesta semana na bolsa de Nova York, referência internacional para o arábica, por preocupações com o tamanho da safra do Brasil.

A alta nas cotações nesta semana repercutiu um estudo divulgado pelo CNC, no final da semana passada, que aponta que o Brasil terá na temporada 2014/15 a menor safra de café dos últimos cinco anos.

A colheita deste ano, que começará efetivamente nas próximas semanas, cairá para um intervalo de 40,1 milhões a 43,3 milhões de sacas de 60 kg, segundo o estudo, contra 49,15 milhões de sacas na temporada passada.

A indústria brasileira se manifestou sobre o assunto nesta semana.

O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, disse a jornalistas que é esperado um aumento de 35 por cento no preço médio do café ao consumidor brasileiro em 2014, ante valores do fim de 2013, por conta da quebra de safra.

"A intenção é encontrarmos um 'valor ideal' para a saca de café e que possamos mantê-lo o máximo, fazendo com que os produtores tenham uma remuneração justa, que os exportadores não tenham os embarques afetados, que os industriais não sofram comprometimento no abastecimento e, principalmente, que os consumidores finais não sejam punidos com elevados reajustes no preço da bebida", continuou o presidente do CNC em nota.   Continuação...