April 15, 2014 / 12:47 PM / 3 years ago

Vendas no varejo brasileiro perdem força e sobem 0,2% em fevereiro

4 Min, DE LEITURA

Pessoas fazem compras no Mercado Central em Belo Horizonte. As vendas no comércio varejista brasileiro registraram leve alta de 0,2 por cento em fevereiro na comparação com janeiro, segundo mês seguido de ganho, porém mostrando perda de força com moderação no consumo. 09/04/2014Washington Alves

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 15 Abr (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro subiram pelo segundo mês seguido em fevereiro, mas perderam força e avançaram 0,2 por cento sobre janeiro, com analistas prevendo que os juros maiores e a alta dos preços continuem a limitar o comércio.

Na comparação com fevereiro do ano passado, as vendas subiram 8,5 por cento em fevereiro, divulgou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em janeiro, as vendas haviam avançado 0,4 por cento sobre o mês anterior.

"O índice de vendas do comércio vem perto de zero e oscilando entre negativo e positivo nos últimos meses. É reflexo sim de um fôlego menos intenso do comércio, diferentemente de anos anteriores. Mas não há nenhum sinal de alerta", afirmou a economista do IBGE Aleciana Gusmão.

O resultado mensal ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters, enquanto a alta anual veio um pouco acima da mediana, que apontava para aumento de 8,10 por cento.

Segundo o IBGE, apenas três das oito atividades pesquisadas no varejo restrito mostraram alta em fevereiro na comparação mensal, com destaque para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+9,0 por cento) e Combustíveis e lubrificantes (+1,6 por cento).

Por outro lado, outras três atividades apresentaram queda, entre elas Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3 por cento).

As duas atividades restantes tiveram estabilidade nas vendas.

Já em relação a fevereiro de 2013, as vendas de Hipermercados e supermercados e mostraram crescimento de 5,1 por cento. "A inflação menor da alimentação dentro de casa explica parte desse resultado. Há também uma aumento da renda", explicou Aleciana, do IBGE.

Alimentação em domicílio fechou 2013 com inflação acumulada de 7,7 por cento, enquanto em fevereiro acumulava 4,5 por cento em 12 meses, segundo o IBGE.

O IBGE informou ainda que a receita nominal do varejo teve avanço de 0,2 por cento em fevereiro sobre janeiro e alta de 13,9 por cento na comparação com o mesmo mês do ano passado.

inflação

Já o volume de vendas no varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, caiu 1,6 por cento em fevereiro na comparação mensal, após ter subido 2,8 por cento em janeiro.

Somente as vendas de Veículos e motos, partes e peças recuaram 7,6 por cento em fevereiro sobre janeiro, maior baixa desde setembro de 2012 (-24,9 por cento). Isso compensou a alta de 2,2 por cento de Material de Construção no mês.

O comércio varejista brasileiro vem convivendo com cenário de juros e inflação elevados, o que acaba afetando o consumo de forma geral por encarecer as operações de crédito.

E a perspectiva de continuidade dos níveis altos de preços deve seguir prejudicando o comércio, dizem analistas.

Em março, o IPCA subiu 0,92 por cento, maior avanço para o mês em 11 anos. No acumulado em 12 meses, o índice chegou a 6,15 por cento, aproximando-se do teto da meta do governo, que é de 4,5 por cento com margem de tolerância de 2 pontos percentuais.

"A elevação das taxas de juros inibe os novos empréstimos e pressiona o nível de endividamento das famílias. Ademais, a forte alta dos preços dos alimentos deve seguir como um fator limitante das vendas em volume do varejo", afirmou a LCA Consultores em relatório.

Esse cenário também afetou a confiança do consumidor no início do ano. Apesar de ter mostrado ligeira melhora em março ao interromper três meses de queda, o consumidor ainda mostra desânimo em relação ao futuro, segundo a Fundação Getúlio Vargas

(Fgv).

A expectativa geral é de que a economia brasileira desacelere o ritmo de expansão neste ano. Após o Produto Interno Bruto (PIB) ter avançado 2,3 por cento em 2013, pesquisa Focus do Banco Central aponta que a expectativa dos economistas consultados é de crescimento de 1,65 por cento em 2014.

Reportagem adicional de Felipe Pontes no Rio de Janeiro

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