April 15, 2014 / 3:23 PM / 3 years ago

Pasadena dá lucro à Petrobras, mas não foi bom negócio, diz CEO

4 Min, DE LEITURA

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, participa de audiência no Senado, nesta terça-feira, em Brasília. 15/04/2014.Ueslei Marcelino

Por Gustavo Bonato

15 Abr (Reuters) - A refinaria de Pasadena, no Texas, envolvida numa polêmica relacionada aos valores pagos pela Petrobras, deu lucro no primeiro trimestre deste ano, mas não foi um bom negócio, disse a presidente da estatal nesta terça-feira.

Além do desembolso de mais de 1 bilhão de dólares na compra de Pasadena, a empresa ainda teve de fazer grandes investimentos em equipamentos e manutenção.

"Assim, o negócio originalmente concebido transformou-se num empreendimento de baixo retorno sobre capital investido", disse a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, em audiência no Senado, em Brasília.

"Definitivamente não foi um bom negócio."

Durante a longa sessão de perguntas feitas pelos parlamentares, a executiva disse que Pasadena obteve lucro líquido de 58 milhões de dólares ao mês em janeiro e fevereiro deste ano.

A unidade nos EUA funciona com preços flutuando de acordo com o mercado, diferentemente do Brasil, onde o acionista controlador da Petrobras, o governo, evita reajustes de preços para limitar o impacto na inflação.

A divisão de Abastecimento da Petrobras tem registrado prejuízos bilionários nos últimos anos, uma vez que a empresa vende derivados no Brasil a valores inferiores aos de compra no mercado externo.

Desembolso

Graça Foster afirmou que a Petrobras desembolsou, no total, 1,25 bilhão de dólares pela refinaria, desde o acordo inicial com a belga Astra em 2006 até o conturbado fechamento da compra em 2012, que envolveu questionamentos em câmaras de arbitragem nos EUA.

A Petrobras reconheceu baixas contábeis de 530 milhões de dólares relacionadas a ajustes no valor percebido da refinaria, disse Graça Foster.

"A partir daí, temos um ativo de qualidade, para o que propõe hoje", ressaltou a executiva, lembrando que a empresa ainda fez investimentos (capex) na refinaria de 685 milhões de dólares entre 2006 a 2013.

A presidente da Petrobras disse que, a partir de 2012, Pasadena recuperou margens de lucro no refino, mesmo sem recuperar os excelentes patamares da época do acordo inicial, em 2006.

"Além da melhor performance operacional, nós temos o petróleo não convencional, leve, de Eagle Ford e de Bakken, que chegam à nossa refinaria com desconto menor", disse a executiva, referindo-se à oferta de petróleo de xisto de reservas exploradas nos últimos anos no interior dos Estados Unidos.

A refinaria está fora dos planos de desinvestimentos da Petrobras, que vem tentando vender diversos ativos no exterior em anos recentes.

"A prioridade é o Brasil, mas não podemos ficar fora do mundo... Nós temos que manter esse networking internacional", afirmou a presidente da Petrobras.

Ela acrescentou também que o momento não é apropriado para tentar vender o ativo, já que há investigações em andamento por parte do Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União e Ministério Público.

"Entendemos que neste momento de grande discussão sobre Pasadena... não seria boa prática que desinvestíssemos em Pasadena."

Mesmo sem disposição de vender, há empresas interessadas em comprar a unidade, disse Graça Foster.

"A melhor oferta que nós temos não cobre o que pagamos por Pasadena, mas temos uma proposta melhor do que tínhamos meses atrás, porque as margens saíram daquele 'vale', em vermelho, e elas estão subindo", disse a executiva.

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