Meta de primário em 2015 será de 2,5% do PIB, "mais realista", segundo governo

terça-feira, 15 de abril de 2014 13:27 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 15 Abr (Reuters) - O governo anunciou nesta terça-feira meta cheia do superávit primário para 2015 de 143,3 bilhões de reais, ou 2,5 por cento do Produto Interno Bruto, considerada "mais realista" e inferior ao objetivo definido nos últimos anos de cerca de 3 por cento do PIB.

Mesmo assim, parte dos especialistas ainda continua cética sobre o desempenho fiscal do país e sua capacidade de ajudar no controle da inflação, que continua pressionada.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo vai buscar cumprir a meta cheia da economia para pagamento de juros, apesar de também ter anunciado objetivo "mínimo" e ajustado de 114,7 bilhões de reais para o próximo ano, equivalente a 2 por cento do PIB.

Mesmo com a economia persistentemente fraca, Mantega disse ainda que caso o cenário melhore no ano que vem, o governo vai trabalhar para elevar o resultado para além dos 2,5 por cento do PIB. E contextualizou o fato de a meta ter ficado abaixo dos cerca de 3 por cento do PIB dos últimos anos.

"Não estamos mantendo o superávit de 3,1 por cento porque ainda não teremos crescimento da economia e da arrecadação que leve a superávit de 3,1 por cento. Estamos provisoriamente reduzindo a meta de superávit para uma meta mais realista dada à situação atual", afirmou o ministro em entrevista coletiva, para comentar o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2015.

Nos últimos anos, o governo foi bombardeado por críticas de agentes econômicos pela condução da política fiscal, que contou com manobras criativas, abalando a confiança.

Para 2014, a meta de superávit primário do setor público --governo central, Estados, municípios e estatais-- foi ajustada para 99 bilhões de reais, ou 1,90 por cento do PIB, sendo que a cheia havia sido anunciada em torno de 3 por cento do PIB.

Mantega ressaltou que a meta maior para 2015, em comparação à ajustada para este ano, deu-se por 3 razões: crescimento mais acelerado da economia no ano que vem, redução de despesas (como abono salarial) e redução de subsídios.   Continuação...

 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fala durante uma coletiva de imprensa sobre a economia em Brasília. O governo anunciou nesta terça-feira meta cheia do superávit primário para 2015 de 143,3 bilhões de reais, ou 2,5 por cento do Produto Interno Bruto, considerada "mais realista" e inferior ao objetivo definido nos últimos anos de cerca de 3 por cento do PIB. 27/02/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino