Problema em caldeira reduz eficiência de térmica de R$1,5 bi da Eletrobras

terça-feira, 15 de abril de 2014 13:52 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - Problemas na caldeira da termelétrica Candiota III, usina da Eletrobras e uma das mais modernas instalações a carvão do país, têm prejudicado a continuidade da geração de energia da usina. Os problemas têm levantado dúvidas sobre confiabilidade do empreendimento em momento em que o Brasil precisa de térmicas para compensar o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas.

Desde a entrada em operação comercial, há cerca de 39 meses, a usina Candiota III, situada no Rio Grande do Sul, com 350 megawatts (MW) de potência e operada pela subsidiária da Eletrobras CGTEE, tem tido uma performance muito abaixo do esperado para um empreendimento novo desse tipo.

A usina, que consumiu 1,5 bilhão de reais para ser erguida, tem operado em média com 58 por cento de sua capacidade, segundo o engenheiro coordenador da Unidade de Gerenciamento do Projeto da CGTEE, Hermes Ceratti Marques. Segundo ele, o fator de capacidade esperado para a usina era de cerca de 85 por cento.

"Estamos com um problema localizado na caldeira. A caldeira tem sofrido, em algumas regiões, um desgaste acentuado, o que tem feito com que haja interrupções na geraçãO", disse Marques, ao acrescentar que alguns problemas foram reparados e solucionados, mas novos desgastes surgiram.

Segundo diagnóstico da CGTEE, uma subsidiária da Eletrobras, os problemas surgiram por causa da excessiva abrasividade da cinza resultante da queima de carvão brasileiro usado como combustível. Segundo Marques, a empresa chinesa que projetou o equipamento, Citic International Contracting, não teria considerado devidamente essa característica específica do carvão nacional ao conceber o projeto.

Representantes da Citic não puderam ser contatados para comentar o assunto.

Marques disse que a Eletrobras tentou resolver a questão com a empresa chinesa responsável pelo projeto, que faz parte do grupo da estatal chinesa CITIC Group , mas como não houve uma solução definitiva, a companhia brasileira decidiu abrir processo de arbitragem na Câmara de Comércio de Estocolmo.

O diretor-financeiro da Eletrobras, Armando Casado de Araújo, já havia mencionado no início do mês, em reunião com analistas em São Paulo, que a térmica Candiota III passava por problemas que motivariam o processo de arbitragem.   Continuação...

 
Um morador anda e olha para uma rede de torres de transmissão de energia, em Minas Gerais. Problemas na caldeira da termelétrica Candiota III, usina da Eletrobras e uma das mais modernas instalações a carvão do país, têm prejudicado a continuidade da geração de energia da usina. Os problemas têm levantado dúvidas sobre confiabilidade do empreendimento em momento em que o Brasil precisa de térmicas para compensar o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. 14/01/2013 REUTERS/Paulo Whitaker