ANÁLISE-Jovens adiam trabalho e contribuem para baixo desemprego no Brasil

terça-feira, 15 de abril de 2014 15:56 BRT
 

Por Silvio Cascione

BRASÍLIA, 15 Abr (Reuters) - Por que o desemprego ainda é tão baixo no Brasil se a economia cresce tão pouco há anos?

Há muitas respostas para esse enigma, mas uma delas chama a atenção: há mais pessoas que simplesmente decidiram não trabalhar, uma tendência que parece ser duradoura e que pode limitar o crescimento da economia por muitos anos ainda.

Dados sobre o mercado de trabalho mostram que o número de pessoas que não quer trabalhar nas seis maiores regiões metropolitanas do país aumentou em seis pontos percentuais desde 2002 para 39 por cento das pessoas em idade ativa.

O aumento é equivalente a cerca de 2,5 milhões de pessoas. Como comparação, é o dobro do número de pessoas que são hoje classificadas como desempregadas.

O caso de Mariane Soares, 18, ajuda a explicar o que mudou.

Sua mãe, professora, tem cinco irmãos --algo que já foi comum no Brasil. Em vez de buscar o sonho de estudar na Universidade de Brasília (UnB), uma das universidades públicas mais prestigiosas do país, ela começou a trabalhar logo após terminar o equivalente ao ensino médio para pagar as contas.

Mariane, em contrapartida, é filha única, o que tem sido a regra em um número cada vez maior de famílias. Em vez de trabalhar, ela faz cursinho para entrar na graduação de Ciência Política da UnB.

"Hoje em dia esses pais falam: como posso te ajudar, vou te ajudar com certeza", disse Mariane em um bate-papo com outros 11 estudantes com idades entre 17 e 26 anos no cursinho Alub.   Continuação...