Valia vê cenário difícil para 2014 e 2015; volta a apostar em títulos públicos

terça-feira, 15 de abril de 2014 17:40 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 15 Abr (Reuters) - O fundo de pensão dos funcionários da Vale, o Valia, antevê um ano difícil no cenário de investimentos em 2014 e 2015, e por isso tem voltado a aplicar em títulos públicos aproveitando a retomada de alta da taxa básica de juros, disse à Reuters o diretor de investimentos da entidade, Maurício Wanderley.

Com 17 bilhões de reais sob gestão, o fundo de pensão tem cerca de 70 por cento de seus ativos investidos em renda fixa, perto dos 62 por cento do início do ano passado, disse Wanderley.

"O nível de juros voltou a um patamar elevado, então aumentamos a alocação em renda fixa. Enxergamos um cenário difícil em 2014 e 2015"", afirmou o executivo.

A considerável queda da taxa básica de juros, a Selic, nos últimos anos levou os fundos de pensão e de investimento a ampliar a exposição ao mercado de ações, de imóveis e outros segmentos de maior risco, tendência que se alterou no curto prazo.

"Nossa visão de longo prazo, no entanto, permanece a mesma, de que a taxa básica voltará a cair", declarou o diretor sobre a necessidade de diversificação de investimentos.

"Globalmente os mercados estão nervosos e o Brasil não fica fora disso", disse.

Paralelamente, a entidade reduziu sua exposição à renda variável no último ano. Atualmente, 11 por cento da carteira estão nesse segmento, enquanto um ano antes esse patamar girava em torno de 18 e 19 por cento, disse Wanderley.

Ele afirmou, no entanto, que a carteira de private equity permanecerá nos níveis atuais, atualmente em 12 por cento, com cerca de 1,2 bilhão de reais. "Continuamos com o private equity, mas por outro lado aproveitamos os títulos anexados à inflação a taxas mais elevadas".

Quinto maior fundo de pensão do país, com mais de 70 mil participantes, o Valia registrou no ano passado rentabilidade nominal de 4,5 por cento nos planos de benefício definido, frente à meta atuarial de inflação mais 4,75 por cento ao ano, ou 10,84 por cento.

(Por Luciana Bruno)