ANÁLISE-Preço do leilão A-0 parece atrativo, mas há dúvidas se cobrirá demanda

terça-feira, 15 de abril de 2014 18:46 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 15 Abr (Reuters) - Os preços-tetos para o leilão de energia existente A-0 de 30 de abril foi considerado positivo para atrair vendedores de energia, de forma geral, principalmente para ofertantes de energia hidrelétrica, mas ainda existe dúvida se haverá energia suficiente para atender toda a demanda.

As distribuidoras de energia precisam cobrir uma descontratação superior a 3,3 gigawatts (GW) médios de energia no leilão, para que reduzam a exposição aos preços de curto prazo que estão nas alturas diante do forte acionamento das térmicas e momento de baixo nível de reservatórios.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira o edital do leilão, definindo preços-teto de 262 reais por megawatt-hora (MWh) para a energia térmica e de 271 reais por MWh para outras fontes, como hidrelétricas. Haverá um único período de fornecimento para cada produto, com entrega prevista para começar em 1o de maio deste ano e terminar em 31 de dezembro de 2019.

Havia preocupação no mercado de que os preços altos de energia de curto prazo, que chegam a 822,83 reais por MWh no Sudeste/Centro Oeste e Sul, pudessem afastar vendedores a se comprometer com contratos no leilão de longo prazo. Mas os preços divulgados nesta terça-feira, no geral, agradaram o mercado.

Analistas do BTG Pactual liderados por Antonio Junqueira escreveram em relatório que o preço definido para as hidrelétricas é atrativo e mostra "atitude pró-mercado" por parte da Aneel. "No entanto, não são todos os agentes que têm excesso de energia por todo o período do contrato", escreveram.

A CPFL Energia é apontada como uma das mais beneficiadas pelo preço, por ser uma das poucas empresas que tem energia disponível para venda por todo o período do contrato.

A empresa obteve recentemente direito a cerca de 346 MW médios de energia da hidrelétrica Serra da Mesa, que está disponível para fechar novos contratos. A empresa sinalizou que consideraria o leilão A-0 como uma das opções para vender essa energia.

"Manter parte dessa energia como um hedge hidrológico é uma opção inteligente, mas a esse preço a coisa mais atrativa seria vender uma grande quantidade de energia no leilão. Se a companhia for capaz de vender ao preço-teto, poderá obter um lucro extra de cerca de 1,5 bilhão de reais, ou 8 por cento do valor de mercado da companhia", segundo os analistas do BTG.   Continuação...