15 de Abril de 2014 / às 22:14 / em 4 anos

Pasadena dá lucro à Petrobras, mas não foi bom negócio, diz Graça Foster

15 Abr (Reuters) - A refinaria de Pasadena, no Texas, envolvida numa polêmica relacionada aos valores pagos pela Petrobras, deu lucro no primeiro trimestre deste ano, mas não foi um bom negócio, disse a presidente da estatal nesta terça-feira.

Além de desembolsar mais de 1 bilhão de dólares na compra de Pasadena, a Petrobras ainda teve de fazer grandes investimentos em equipamentos e manutenção na refinaria, disse a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, em audiência no Senado.

“Assim, o negócio originalmente concebido transformou-se num empreendimento de baixo retorno sobre capital investido”, disse Graça Foster, como gosta de ser chamada, aos senadores.

“Definitivamente não foi um bom negócio”, disse a executiva.

Graça participou de audiência no Senado, em um momento em que a estatal está sob fogo cruzado e a oposição tenta instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a aquisição da refinaria norte-americana.

A executiva disse que o Conselho de Administração da estatal --em 2006 presidido por Dilma Rousseff-- aprovou inicialmente a compra de 50 por cento da refinaria baseado em resumo executivo e avaliação da diretoria executiva, sem saber que havia a eventual obrigatoriedade de compra dos 50 por cento restantes, de acordo com a cláusula de opção de venda do contrato.

Graça repetiu afirmação recente da presidente Dilma Rousseff, que disse ter aprovado a compra sem ter os dados completos, reacendendo a polêmica em relação ao negócio.

Críticos dizem que a Petrobras pagou à Astra Oil muito mais do que os 42,5 milhões de dólares que a companhia belga havia pago por Pasadena em 2005, um ano antes de metade da unidade ser vendida à estatal brasileira por 360 milhões de dólares.

A presidente da Petrobras, no entanto, contestou os números. Ela disse que a Astra, na verdade, pagou 360 milhões de dólares pela refinaria, 8,5 vezes mais do que os críticos alegam.

Graça Foster afirmou que a Petrobras desembolsou, no total, 1,25 bilhão de dólares pela refinaria, desde o acordo inicial com a Astra em 2006 até o conturbado fechamento da compra em 2012, que envolveu questionamentos em câmaras de arbitragem nos EUA.

A Astra não pode ser contatada para comentários.

As ações preferenciais da Petrobras fecharam em queda de 3,8 por cento nesta terça-feira, colaborando para pressionar o Ibovespa, que recuou 2,2 por cento.

LUCRO

Apesar de não ter considerado a compra de Pasadena um bom negócio, a executiva disse durante a longa sessão de perguntas feitas pelos parlamentares que Pasadena teve lucro líquido de 58 milhões de dólares ao mês em janeiro e fevereiro deste ano.

Ela ressaltou que a partir de 2012 Pasadena recuperou margens de lucro no refino, mesmo sem recuperar os excelentes patamares da época do acordo inicial, em 2006.

“Além da melhor performance operacional, nós temos o petróleo não convencional, leve ”, disse a executiva, referindo-se à oferta de petróleo de xisto de reservas exploradas nos últimos anos no interior dos Estados Unidos.

A Petrobras reconheceu baixas contábeis de 530 milhões de dólares relacionadas a ajustes no valor percebido da refinaria, disse Graça Foster.

“A partir daí, temos um ativo de qualidade, para o que propõe hoje”, ressaltou a executiva, lembrando que a empresa ainda fez investimentos na refinaria de 685 milhões de dólares entre 2006 a 2013.

Neste contexto e diante das investigações, a refinaria está fora dos planos de desinvestimentos da Petrobras, que vem tentando vender diversos ativos no exterior em anos recentes.

“A prioridade é o Brasil, mas não podemos ficar fora do mundo... Nós temos que manter esse networking internacional”, afirmou a presidente da Petrobras.

Ela acrescentou também que o momento não é apropriado para tentar vender o ativo, já que há investigações em andamento por parte do Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União e Ministério Público.

“Entendemos que neste momento de grande discussão sobre Pasadena... não seria boa prática que desinvestíssemos em Pasadena.”

Mesmo sem disposição de vender, há empresas interessadas em comprar a unidade, disse Graça Foster.

“A melhor oferta que nós temos não cobre o que pagamos por Pasadena, mas temos uma proposta melhor do que tínhamos meses atrás, porque as margens saíram daquele ‘vale’, em vermelho, e elas estão subindo”, disse a executiva.

Por Gustavo Bonato e reportagem adicional de Jeb Blount, no Rio de Janeiro

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