Conselho da ALL aprova proposta para fusão com Rumo

terça-feira, 15 de abril de 2014 20:23 BRT
 

SÃO PAULO, 15 Abr (Reuters) - O Conselho de Administração da operadora logística ALL aprovou nesta terça-feira proposta para incorporação da empresa pela Rumo, do grupo de energia e infraestrutura Cosan.

A proposta envolve a formação de uma gigante do setor de logística no Brasil avaliada em cerca de 11 bilhões de reais e prevê o encerramento de disputas judiciais entre ambas as companhias em torno de contratos de transporte de commodities.

Pelos termos da proposta, anunciada no final de fevereiro, a Rumo deve incorporar a totalidade das ações de emissão da ALL, ficando com 36,5 por cento da companhia resultante da união, enquanto os demais 63,5 por cento do capital caberiam aos sócios da ALL.

A oferta considera um valor de referência para a ALL de 6,959 bilhões de reais, equivalente a 10,184 real por ação. O papel encerrou nesta terça-feira cotado a 8,10 reais.

A fusão tem sido fortemente questionada por representantes de vários setores do agronegócio brasileiro. No início de março, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa o principal setor exportador de commodities agrícolas do país, afirmou que o negócio representa "concentração de poder" de mercado da empresa resultante da fusão .

A ALL é a maior operadora ferroviária do Brasil. No setor sucroalcooleiro, a Cosan atua em uma joint venture com a Shell, a Raízen, a maior produtora individual de açúcar e etanol de cana do mundo.

A união das empresas também está sendo analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que abriu inquérito administrativo para apurar "práticas comerciais abusivas" das empresas Rumo e Cosan em contratos de transporte com a ALL.

O prazo final para a aceitação da proposta pelos acionistas da ALL era 5 de abril, mas no início do mês a Cosan anunciou o aumento do prazo para esta terça-feira.

Os principais acionistas da ALL incluem BNDESPar, com 12,1 por cento das ações, o fundo de investimento BRZ, com 4,79 por cento e os fundos de pensão Previ e Funcef, com 3,95 e 3,88 por cento. Participam ainda da empresa Global Markets Investments, com 4,94 por cento e Julia Dora Antonia Koranyi Arduini, com 5,61 por cento das ações ordinárias da companhia.

A proposta será levada para aprovação pelos acionistas da ALL em assembleia extraordinária que deve ser marcada nos próximos dias, informou a companhia. O negócio também depende de aprovação pelo Cade e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

(Por Alberto Alerigi Jr.)