Preços baixos nos EUA são ameaça agora, e não inflação, diz Yellen

quarta-feira, 16 de abril de 2014 19:30 BRT
 

NOVA YORK, 16 Abr (Reuters) - A persistente baixa inflação representa uma ameaça mais imediata à economia dos Estados Unidos do que o aumento dos preços, afirmou nesta quarta-feira a chair do Federal Reserve, Janet Yellen, enfatizando que o banco central norte-americano manterá sua política de estímulos por algum tempo.

Em seu segundo discurso desde que passou a comandar o BC dos EUA, Yellen tomou cuidado para não prever quando a taxa de juros subirá do atual nível próximo de zero. Ao invés disso, ela enfatizou que a decisão dependerá da melhoria no mercado de trabalho e quão rápida a inflação subirá em direção à meta de 2 por cento.

Os comentários relativamente moderados para o Clube Econômico de Nova York se intensificaram após o professor de Harvard e ex-conselheiro do ex-presidente dos EUA Ronald Regan, Martin Feldstein, questioná-la se ela permitirá que a inflação vá acima de 2 por cento para permitir mais amparo à economia.

"Com a inflação rodando a cerca de 1 por cento, neste momento eu acho que o risco maior que nós deveríamos estar preocupados é com a inflação ficando abaixo da nossa meta e para levar a inflação de volta até 2 por cento", afirmou.

O Fed "com certeza" vai precisar, em algum momento, apertar a política para evitar uma aceleração da inflação, disse Yellen. "Ultrapassar a meta pode se tornar muito custoso para reverter", disse.

Yellen indicou que o Fed não é o único a buscar elevar a inflação para evitar o fenônemo da deflação que é prejudicial à economia. O Banco Central Europeu está analisando políticas não convencionais que poderiam aumentar a inflação na zona do euro, enquanto o Japão tem se debatido contra a deflação há 15 anos.

O Fed tem mantido a taxa de juros perto de zero desde 2008 e já comprou mais de 3 trilhões de dólares em ativos para ajudar a reduzir os custos de empréstimos e estimular o crescimento diante de uma frustrante recuperação da atividade.

UM CAMINHO VAGO PARA WALL ST

Uma aceleração na maior economia do mundo, após uma desaceleração no inverno, tem feito muitos investidores tentar prever quando o Fed vai finalmente elevar as taxas de juros. A maioria aposta que isso ocorrerá em meados de 2015.   Continuação...