Telefónica fica sem voz em Conselho da Telecom Italia

quinta-feira, 17 de abril de 2014 07:52 BRT
 

ROZZANO, Itália, 17 Abr (Reuters) - Os acionistas da Telecom Italia elegeram na quarta-feira Giuseppe Recchi como presidente do Conselho, em uma renovação que nomeou, pela primeira vez, diretores independentes para supervisionar o maior grupo de telecomunicações da Itália.

As mudanças, que asseguraram que o Conselho não tivesse executivos da Telefónica, maior acionista da companhia, foram bem recebidas pelos investidores minoritários preocupados com um possível conflito de interesses porque as empresas espanhola e italiana operam como concorrentes no Brasil.

A medida também teve como objetivo auxiliar o presidente-executivo Marco Patuano a dar foco ao avanço do grupo, cuja dívida líquida de quase 27 bilhões de euros (37 bilhões de dólares) chega a quase três vezes o lucro do seu negócio principal.

Recchi, ex-executivo da General Electric e presidente do Conselho do grupo petrolífero Eni, ganhou 97 por cento dos votos.

Recchi foi o candidato apresentado pela Telco, grupo liderado pela Telefónica que detém 22,4 por cento da empresa italiana, embora não tenha laços com o conglomerado, sendo, portanto, um presidente independente.

O conselho da Telecom Italia foi por anos dominado pela Telco. A falta de uma representação adequada para os investidores minoritários levou a um motim no ano passado, a fim de provocar mudanças no Conselho.

Temendo mais tumultos, a Telco propôs um novo grupo no mês passado, liderada por executivos independentes como Recchi.

Patuano enfrenta escolhas difíceis sobre a futura estratégia do grupo no Brasil, um mercado que deverá passar por consolidação e onde sua subsidiária TIM Brasil concorre diretamente com a subsidiária da Telefónica, a Vivo.

Fontes próximas à Telefónica disseram que o grupo quer partilhar a TIM Brasil e dividir seus ativos com outras empresas. O empresário italiano Marco Fossati, que é o segundo maior acionista da Telecom Italia com fatia de 5 por cento, se manifestou contra a ideia e sugeriu combinar a TIM Brasil com a operadora de banda larga GVT, uma subsidiária da francesa Vivendi.

(Por Danilo Masoni e Stefano Rebaudo)