17 de Abril de 2014 / às 12:52 / 3 anos atrás

IPCA-15 acelera a 0,78% em abril, abaixo do esperado

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 17 Abr (Reuters) - Ainda sob o peso dos preços de alimentos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou a alta a 0,78 por cento em abril, mas veio abaixo do esperado pelos especialistas, o que pode tirar pressão sobre o Banco Central neste momento.

O indicador, prévia da inflação oficial do país, atingiu 6,19 por cento em 12 meses até abril, ante 5,90 por cento em março, informou ainda o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Na comparação mensal, a taxa superou o avanço de 0,73 por cento visto em março e foi a mais alta desde janeiro de 2013 (0,88 por cento). Entretanto, os resultados ficaram abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters, cujas medianas apontavam alta de 0,85 por cento sobre março e de 6,26 por cento em 12 meses.

De acordo com o IBGE, o principal impacto no IPCA-15 de abril foi provocado pelo grupo Alimentação e Bebidas, com 0,45 ponto percentual, após acelerar a alta a 1,84 por cento. Em março, o avanço havia sido de 1,11 por cento.

Com isso, o grupo, que ainda reflete os efeitos da falta de chuva recentemente em várias regiões do país, respondeu sozinho por 58 por cento do IPCA-15.

Os principais impactos individuais sobre o índice do mês concentraram-se em alimentos, com destaque para os preços das carnes, com 0,07 ponto percentual, após alta de 2,83 por cento nos preços.

“Alimentação continua preocupando bastante, principalmente no domicílio. Esperávamos algum sinal de desaceleração por melhora do clima, mas isso não se confirmou”, avaliou a economista da Tendências Consultoria Alessandra Ribeiro, que deve elevar sua projeção de alta de 0,70 por cento para o IPCA fechado de abril.

O segundo grupo que mais mostrou alta em abril foi o de Saúde e Cuidados Pessoais, com 0,69 por cento, após avanço de 0,46 por cento em março. Segundo o IBGE, isso ocorreu devido ao aumento de 0,69 por cento nos preços de remédios, cujos reajustes foram concedidos no final de março.

ALÍVIO?

O resultado do IPCA-15 de abril pode trazer algum alívio ao BC que, há um ano, iniciou ciclo de aperto monetário que já levou a Selic para o atual patamar de 11 por cento ao ano. Recentemente, a autoridade monetária indicou que pretende interromper esse movimento, classificando a pressão nos preços de alimentos como “temporária”.

Nesta manhã, as taxas de juros futuras eram negociadas em queda, com a curva passando a embutir chance majoritária de que a Selic seja mantida em 11 por cento na reunião de maio do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo cálculos da Reuters.

“Mantemos a expectativa de que o Copom não vai elevar a Selic na sua próxima reunião”, disse o economista-chefe do Banco Fator, Francisco Gonçalves, por meio de nota.

Ele cita expectativa de desaceleração da alta dos preços dos alimentos, bem como os efeitos da recente valorização do real até o final de abril, estimando que o IPCA fechado do mês ficará em torno do patamar visto em sua prévia.

Na última pesquisa Focus do BC, da semana passada, os economistas ainda viam alta de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros no próximo mês. Ao mesmo tempo, viam IPCA a 6,47 por cento no fim do ano

Ainda que o resultado de abril tenha ficado abaixo das expectativas, o cenário geral de pressão de preços não mudou, mantendo a cautela entre analistas. O índice de difusão do IPCA-15 aumentou de 67 por cento em março para 73 por cento, segundo as contas do diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos.

O cenário inflacionário ainda envolve pressão nos preços de serviços e administrados, sobretudo com o encarecimento do custo da energia.

E mais um fator entrou no radar nesta quinta-feira, com a divulgação no Diário Oficial de autorização para a Caixa Econômica Federal elevar os preços das apostas da Mega-Sena, Lotofácil e Quina em cerca de 25 por cento. No ano, esse reajuste pode impactar o IPCA em 0,1 ponto percentual, segundo cálculos da Tendências.

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