ENTREVISTA-Aon diversifica e mira aquisições para dobrar de tamanho no Brasil

quinta-feira, 24 de abril de 2014 11:49 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 23 Abr (Reuters) - Maior corretora de seguros do mundo, a Aon desenha uma combinação de crescimento via aquisições e foco em clientes corporativos no Brasil para conservar o ritmo de expansão anual de dois dígitos que vem mantendo nos últimos 10 anos no país, disse o presidente-executivo da operação brasileira da companhia, Marcelo Munerato.

O plano é um meio de escapar da pressão sobre as margens do setor nos mercados de seguros massificados, enquanto os grandes bancos locais sinalizam que vão usar mais a própria rede de agências para distribuir seus produtos, que incluem apólices de vida, residência e automóvel, por exemplo.

"Vai continuar existindo espaço para as corretoras no atendimento a empresas", disse Munerato em entrevista à Reuters.

As corretoras, cerca de 25 mil no Brasil, ainda são o principal canal distribuição de seguros no país, com mais de 80 por cento do total, segundo levantamento da KPMG. No entanto, o setor vem enfrentando crescente concorrência nos produtos massificados, especialmente dos bancos comerciais, que passaram a apostar mais em serviços financeiros para compensar queda de receita com crédito, que vem crescendo menos.

Além da rede de agências, os bancos estão apostando na Internet e em outros canais alternativos para distribuir seus produtos de seguro. O Itaú Unibanco, que recentemente pôs à venda sua carteira de grandes riscos, está lançando um portal específico de seguros, dentro da estratégia de aumentar a distribuição de produtos massificados.

A BB Seguridade, do Banco do Brasil, ampliou recentemente a parceria com os Correios para poder distribuir seguros nas mais de 6 mil agências do Banco Postal, em cerca de 94 por cento dos municípios do país.

Diante disso, o setor de seguros vem passando por um processo de consolidação, especialmente das corretoras de menor porte. Uma das companhias que vêm crescendo com essa tendência é a BR Insurance, que estreou na bolsa em 2010, e que no final de 2013 controlava 52 corretoras.

No caso de uma gigante como a Aon, que tem no Brasil mais de 40 seguradoras como clientes, aquisições de corretoras pequenas também estão na mira. Para Munerato, ainda há grandes filões do mercado de seguros massificados ainda inexplorados, inclusive no de automóveis. A corretora estima que apenas um em cada três carros no país tenha seguro.   Continuação...