Aperto nas margens com soja na China são de curto prazo, diz CEO da Bunge

sexta-feira, 25 de abril de 2014 11:45 BRT
 

Por Gustavo Bonato

BARCARENA, Pará , 25 Abr (Reuters) - As margens apertadas com o esmagamento de soja na China, que têm até levado a cancelamentos de compras do grão exportado pelo Brasil, são de curto prazo e devem se normalizar em dois ou três meses, projetou o presidente da Bunge, uma das maiores empresas do agronegócio global.

"As margens na China são ruins para todo mundo", disse o presidente Soren Schroder, em visita ao Brasil. "Mas este é um problema de curto prazo."

Ele afirmou que as margens defasadas de processamento devem durar apenas mais dois ou três meses, sem elaborar uma justificativa.

Importadores da China, o maior comprador global de soja, já deram calote em pelo menos 500 mil toneladas em carregamentos de soja do Brasil e dos EUA nas últimas semanas, em meio ao arrefecimento da demanda e o aperto de crédito na China, segundo fontes do mercado asiático.

Na terça-feira, a Abiove, associação que representa as grandes empresas do setor da soja no Brasil, reduziu em 1 milhão de toneladas sua projeção de exportações do grão este ano pelo país, devido a um pequeno arrefecimento da demanda chinesa.

Em um jantar com jornalistas em Barcarena (Pará), onde a Bunge inaugura nesta sexta-feira o terminal de exportação de um complexo logístico de 700 milhões de reais, Schroder se mostrou tranquilo em relação à oscilação do mercado chinês: "Isso acontece todo ano. Mas a tendência (da demanda chinesa no longo prazo) é sempre de alta."

O novo presidente da Bunge no Brasil, Raul Padilla, que assume o cargo na próxima semana, garantiu que não houve nenhum calote ou cancelamento de compra de soja brasileira exportada pela empresa.

"Não houve nenhuma perda", disse ele, ressaltando que a Bunge do Brasil vende soja para a divisão chinesa da empresa.   Continuação...