ANÁLISE-Resultados de empresas reforçam PIB fraco no Brasil no 1o tri

sexta-feira, 25 de abril de 2014 15:17 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - Os primeiros resultados de companhias brasileiras líderes de vários setores entre janeiro e março dão força à avaliação de que a economia do país começou o ano devagar, com empresas classificando a situação com adjetivos como "estranha" e "desafiadora".

Em vez de produzir mais aço, a Usiminas resolveu vender mais energia para aproveitar os elevados preços da eletricidade no curto prazo. O Bradesco teve fraca expansão do crédito e aumento da inadimplência futura.

Enquanto isso, a produtora de celulose Fibria manteve a produção de um ano atrás, enquanto construtoras seguiram desovando estoques de imóveis e a fabricante de cosméticos Natura citou ambiente "mais desafiador" e reiterou investimento menor neste ano.

Os dados saíram dias após o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), mostrar forte desaceleração da economia brasileira em fevereiro, sinalizando um ano difícil. No mês, o índice avançou 0,24 por cento sobre janeiro depois de expansão de 2,35 por cento em janeiro.

"O primeiro trimestre de forma geral foi fraco. A indústria teve desempenho bastante limitado. Quando olhamos para o consumo ampliado, também foi bastante fraco em fevereiro e deve ter continuado fraco em março", disse Alessandra Ribeiro, economista e sócia da consultoria Tendências. "Não dá para ser muito otimista (...) Vemos corrosão de renda real, que mina o consumo e isso tem consequências na produção", disse Alessandra.

As indicações para o segundo trimestre não são positivas. A Usiminas, importante fornecedora das montadoras de veículos, espera queda de produção do setor, diante de anúncios de suspensão de contratos de trabalho. A Volkswagen, por exemplo, vai afastar mais de 1.000 funcionários de suas fábrica em São Bernardo do Campo (SP) e São José dos Pinhais (PR) por até cinco meses.

"Está todo mundo apreensivo com a economia, vamos ter algo parecido com o ano passado", disse o presidente-executivo da companhia de logística JSL, Fernando Simões.

Outro dado que corrobora com a informação foi divulgado nesta semana pela comercializadora e gestora de energia Comerc, que apontou a primeira queda anual e mensal no consumo de energia elétrica da indústria atendida pela empresa, responsável pela gestão de 13 por cento da carga de eletricidade de consumidores livres do Brasil.   Continuação...