Leilão de energia A-0 não resolverá toda descontratação de distribuidoras

terça-feira, 29 de abril de 2014 13:10 BRT
 

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O leilão de energia A-0 que acontece na quarta-feira não deve reduzir toda a descontratação das distribuidoras de energia do país e o preço da eletricidade deve continuar elevado, diante do baixo nível de água das represas de hidrelétricas.

Antes de participar de reunião do Conselho da Eletrobras em Brasília, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, estimou que o leilão pode reduzir pela metade a descontratação das distribuidoras.

Segundo ele, a contratação de até 1.600 megawatts médios no leilão A-0 já representaria um sucesso do certame, que faz parte de conjunto de medidas do governo federal para reduzir o preço da energia no curto prazo.

"A expectativa é de que preço (da energia no leilão) foi muito atrativo e que realmente deixará os agente interessados", disse Zimmermann, antes de participar de reunião do Conselho de Administração da Eletrobras. "Acreditamos que o leilão vai ajudar a diminuir essa descontratação das distribuidoras, que é o grande objetivo do certame", acrescentou.

Ele afirmou que leilões A-0 têm um histórico de contratação de 40 a 50 por cento, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). "Esse leilão (de quarta-feira) tem características diferentes dos de energia nova. Então nós acreditamos que deve passar este percentual", disse Zimmermann.

Perguntado se o volume contratado poderia passar de 50 por cento, ele respondeu: "Até mais, mas acho que contratando 1.500, 1.600 megawatts médios já será um sucesso. Reduzirá praticamente à metade a descontratação."

Durante evento no Rio de Janeiro, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do ministério, Altino Ventura, também afirmou que o leilão não pode não atender toda a necessidade das distribuidoras. "Temos a esperança que o atendimento da demanda ocorra, mas o valor a ser contratado é elevado, pode ser que ele não seja atendido plenamente", disse.

O presidente da CCEE, Luiz Eduardo Barata, já havia dito na semana passada que uma contratação para atender 40 por cento da necessidade já marcaria um resultado bom para o leilão. . Segundo o presidente da consultoria Thymos Energia, João Carlos Mello, a competição deve conseguir contratar cerca de 1 gigawatt médio.

As distribuidoras de eletricidade do país estão descontratadas em mais de 3,3 GW médios, o que tem obrigado a compra de energia bem mais cara no mercado de curto prazo.   Continuação...