Com mais dividendos, primário do governo central soma R$3,2 bi em março

quarta-feira, 30 de abril de 2014 12:11 BRT
 

BRASÍLIA, 30 Abr (Reuters) - Com ajuda essencial de dividendos de estatais, o governo central fechou março com superávit primário de 3,174 bilhão de reais, num cenário que continua envolvendo despesas em forte crescimento.

Nos primeiro trimestre do ano, a economia feita para o pagamento de juros acumulou saldo positivo de 13,048 bilhões de reais, pior resultado desde 2010 para esse período, informou o Tesouro Nacional nesta quarta-feira.

Os dividendos pagos pelas estatais federais somaram 2,999 bilhões de reais no mês passado, respondendo por quase todo o resultado do primário todo. Esses desembolsos foram recorde para março, conforme antecipou a Reuters na semana passada.

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, buscou minimizar o fato de a receita com dividendos ter garantido o resultado positivo no mês passado. "Isso não tem significado algum", disse em entrevista, após a divulgação do resultado.

A principal estatal que pagou dividendos foi o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), com quase 1,898 bilhão de reais no mês passado.

Também engordou o caixa 642 milhões de reais vindos da Caixa Econômica Federal e 457,4 milhões de reais do Banco do Brasil.

No mês passado, as despesas totais somaram 76,816 bilhões de reais, com alta de 12,4 por cento em relação a fevereiro, incluindo o repasse de 1,721 bilhão de reais recursos para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). No trimestre, foram 235,283 bilhões de reais, 15,1 por cento superior a igual período de 2013.

Já as receitas líquidas totais atingiram 79,990 bilhões de reais em março, com aumento de 22,5 por cento sobre fevereiro, somando 248,332 bilhões de reais entre janeiro e março. O valor trimestral é 10,6 por cento maior do que os primeiros três meses do ano passado.

Com cenário fraco da economia para este ano, o governo anunciou meta "mais realista" de superávit primário para o setor público consolidado --governo central, Estados, municípios e estatais-- de 99 bilhões de reais neste ano, ou 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Já a Previdência Social apresentou, no mês passado, déficit de 4,529 bilhões de reais, ainda segundo dados do Tesouro.

(Por Luciana Otoni)