Pasadena não foi bom negócio, mas apresentava potencial, diz CEO da Petrobras

quarta-feira, 30 de abril de 2014 17:51 BRT
 

BRASÍLIA, 30 Abr (Reuters) - A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou nesta quarta-feira em audiência na Câmara que a compra da polêmica refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, não foi um "bom negócio", repetindo o que havia afirmado a senadores em meados do mês.

Mas ela acrescentou que a aquisição, em 2006, apresentava um potencial de ganhos para a estatal na ocasião.

"Naquele momento (da compra da primeira parcela da refinaria), o que a Petrobras fez foi um negócio muito razoável do ponto de vista econômico. Quando eu digo que foi um projeto potencialmente bom é porque havia um potencial de ganhos", disse a presidente da estatal em audiência pública nas comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

Ao citar as baixas contábeis registradas na refinaria e o baixo retorno financeiro do projeto, Graça Foster reafirmou, como já havia feito há 15 dias no Senado, que "no conjunto das análises" a compra de Pasadena "definitivamente não foi um bom negócio".

A compra da refinaria localizada no Texas, envolvida em uma controversa sobre os valores desembolsados pela Petrobras, motivou pedidos da oposição para se investigar a estatal, culminando com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na próxima terça-feira.

O movimento para a instalação da CPI se intensificou após Dilma Rousseff, presidente do Conselho de Administração da estatal na época do negócio, ter dito em março por meio de nota que o aval para a compra da refinaria foi dado com base em um documento "técnica e juridicamente falho".

Segundo nota da Presidência da República, o resumo executivo preparado pela diretoria da Área Internacional na época "omitia" informações como a cláusula "put option", que levou a Petrobras a pagar valores muito maiores pela refinaria do que os 360 milhões de dólares desembolsados inicialmente por 50 por cento da unidade.

Ao final, a estatal pagou 1,25 bilhão de dólares por Pasadena e ainda teve de fazer investimentos de 685 milhões de dólares em melhorias operacionais, manutenção, paradas programadas até 2013.

Fazendo eco à declaração de Dilma, a presidente da Petrobras voltou a dizer que o resumo encaminhado ao conselho omitia a "put option", que posteriormente obrigou a estatal a adquirir os 50 por cento restantes da refinaria.   Continuação...