ENTREVISTA-Mercado de IPO do Brasil em 2014 pode passar em branco, diz BM&FBovespa

segunda-feira, 5 de maio de 2014 13:32 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O atual clima de desconfiança dos investidores em relação ao cenário macroeconômico do país pode fazer o mercado brasileiro passar 2014 sem uma única estreia na bolsa, disse nesta segunda-feira o presidente-executivo da BM&FBovespa, Edemir Pinto.

"Se as expectativas mudarem, os IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) voltam ainda esse ano. Se não, é bem provável que não tenha", disse o executivo à Reuters.

Após 13 operações de abertura de capital que movimentaram cerca de 20 bilhões de reais em 2013, segundo o executivo, a bolsa teve em 2014 o pior início de ano em pelo menos uma década, em meio à combinação de fraco crescimento econômico do país e alta inflação.

A pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras divulgada nesta manhã apontou nova piora na previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país, a 1,63 por cento. A previsão dos economistas para a inflação medida pelo IPCA ficou em 6,5 por cento, no teto da margem de tolerância da meta do governo, cujo centro é de 4,5 por cento.

Para Edemir, esse clima negativo tem pesado sobretudo na percepção do investidor estrangeiro, responsável atualmente por cerca de 60 por cento do volume diário da Bovespa.

As eleições presidenciais esse ano e o futuro econômico do país ainda pouco transparente aparecem, também pesam sobre as expectativas do mercado, disse ele, avaliando que uma retomada do mercado acionário depende de sinais especialmente na área fiscal, para dar confiança aos investidores.

"Esperamos que o governo mostre um pouco mais clareza e uma diretriz mais transparente e factível", disse Edemir. "Hoje a confiança está abalada e esperamos que o governo consiga reverter isso."

Nesse sentido, um possível aumento de impostos federais para resolver questões pode piorar ainda mais os ânimos do mercado, segundo ele, comentando a entrevista do ministro da Fazenda, Guido Mantega, publicada na véspera pelo jornal "O Globo".   Continuação...