Conselheiro da Petrobras diz que caso Pasadena é "gota no oceano"

terça-feira, 6 de maio de 2014 17:02 BRT
 

SÃO PAULO, 6 Mai (Reuters) - A polêmica compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras é uma "gota no oceano" considerando os problemas de gestão da empresa, segundo um conselheiro da estatal que representa os acionistas minoritários.

"Estamos perdendo muito tempo com o caso Pasadena. Tem as questões políticas e tal, mas Pasadena é uma gota no oceano em relação ao que está acontecendo com a gestão da companhia", disse o conselheiro Mauro Cunha em entrevista coletiva em São Paulo.

Ele não especificou quais seriam os problemas de gestão.

Contatada, a assessoria de imprensa da Petrobras não respondeu imediatamente pedido de comentários sobre a declaração.

A declaração de Cunha, presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), foi dada durante entrevista para falar sobre uma decisão da Comissão de Valores Mobiliários sobre assembleia da telefônica Oi.

Jornalistas presentes no evento aproveitaram para fazer questões envolvendo a Petrobras.

Segundo Cunha, os problemas de gestão estão prejudicando a Petrobras desde a sua capitalização, em 2010.

Em março, Cunha foi voto dissidente na aprovação, pelo Conselho de Administração da Petrobras, das demonstrações financeiras do exercício social de 2013.

Segundo nota da Petrobras na época, ele votou contrariamente à aprovação do balanço argumentando, entre outras coisas, que houve "falta de envio tempestivo das demonstrações para análise dos conselheiros", além de ter considerado que houve "insuficiência de informações e aparente inadequação da contabilização dos investimentos em refinarias".

Cunha também discordou quanto à política de "hegde accounting", prática contábil que a Petrobras passou a adotar em meados de maio de 2013, com o objetivo de reduzir impactos provocados por variações cambiais em seus resultados periódicos.

(Por Aluisio Alves)