Brasil e Argentina buscam estender acordo automotivo por mais um ano

terça-feira, 6 de maio de 2014 19:49 BRT
 

Por Alonso Soto e Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - Brasil e Argentina planejam estender o acordo automotivo por mais um ano, mas os dois países ainda precisam acertar a extensão do comércio livre de taxação, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges.

As negociações ocorrem em um momento de forte queda nas exportações de veículos do Brasil, que têm na Argentina seu principal mercado comprador. O recuo nas exportações tem contribuído para um quadro de redução na produção brasileira de veículos, agravado por um mercado interno retraído.

Borges acrescentou que o governo brasileiro está buscando formas de estimular também os bancos locais para oferecer mais crédito para os consumidores brasileiros comprarem automóveis diante da queda nos índices de inadimplência. No primeiro trimestre, as vendas de veículos novos no Brasil caíram 2 por cento sobre um ano antes.

Automóveis representam metade do comércio entre os dois vizinhos e a renovação do acordo é crucial para restaurar os volumes de negociação, ajudando a reduzir os déficits em conta corrente de ambos.

No ano passado, Brasil e Argentina não chegaram a um acordo sobre quantos carros e autopeças podem entrar em cada país sem taxação, baseado numa fórmula conhecida por "flex".

Autoridades governamentais e empresários estão se reunindo em Brasília nesta semana para acertar o novo limite do flex que vai permitir a extensão do acordo por mais um ano.

"Temos um entendimento inicial que nós prorrogaremos por 12 meses o acordo como ele está, alterando o flex novamente para dar conforto para os argentinos", afirmou Borges. "Não podemos ter um flex que diminui escala", emendou.

As regras flex anteriores que expiraram no ano passado permitiram ao Brasil exportar sem tarifas 195 dólares em valor relativo a carros e autopeças a cada 100 dólares exportados pela Argentina.   Continuação...