7 de Maio de 2014 / às 10:18 / em 3 anos

Brasil não possui condições de ter meta de inflação abaixo de 4,5%, diz Mantega

BRASÍLIA, 6 Mai (Reuters) - A economia brasileira não reúne condições necessárias para que seja adotada no país uma meta de inflação inferior aos 4,5 por cento em vigor, disse na noite terça-feira o ministro da Fazenda, avaliando ainda que os preços altos irão ceder nos próximos meses.

“No futuro poderemos almejar meta de inflação mais baixa, poderá ser entre 3 e 3,5 por cento. Mas neste momento não reunimos condições para isso”, disse Guido Mantega em entrevista ao programa “Espaço Público” transmitido pela TV Brasil.

A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. O pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, disse que, se eleito, reduziria a meta de inflação a 4 por cento a partir de 2016 e a fixaria a 3 por cento para 2019.

Mesmo diante da alta dos juros iniciada pelo Banco Central em abril do ano passado, a inflação segue elevada e economistas de instituições financeiras preveem que a alta do índice de preços oficial, o IPCA, encerrará este ano com alta de 6,5 por cento, segundo a última pesquisa Focus do BC.

Os preços altos constituem um dos principais problemas do governo, com a crescente insatisfação do eleitorado com a perda de poder aquisitivo sendo um dos fatores que explicam a piora da avaliação do governo e a redução da popularidade da presidente Dilma Rousseff neste ano eleitoral.

Durante a entrevista, Mantega fez um prognóstico otimista sobre a trajetória dos preços.

“Teremos em abril inflação menor e inflação em maio menor ainda e em junho estará em patamar mais tranquilo.”

Neste cenário de preços altos e resistentes ao aperto monetário --entre abril de 2013 e abril deste ano o BC retirou a taxa Selic da mínima histórica de 7,25 por cento ao ano elevando-a gradualmente para os 11 por cento atuais-- Mantega foi questionado por jornalistas sobre se seria a favor da autonomia do banco.

“Não acho que tem que mudar nada. Está bom desse jeito”, respondeu o ministro. Atualmente o BC tem autonomia operacional, mas não institucional, sendo que seu presidente e diretores não têm um mandato fixo.

Também questionado sobre o controle dos gastos, ele reconheceu que o governo cometeu exageros no fechamento das contas públicas para cumprir a meta de superávit primário de 3,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2012.

“No fechamento das contas de 2012 tivemos que fazer uma grande esforço para fazer meta fiscal. A economia cresceu pouco, a arrecadação foi fraca e tivemos que pegar Fundo Soberano, que era poupança, e forçamos um pouco a barra nesse sentido”, comentou.

Na defesa da administração da presidente Dilma, o titular do Ministério da Fazenda defendeu o governo teria conseguido “compatibilizar o superávit primário com políticas econômicas e sociais” e que os gastos públicos não são fonte de pressão dos preços.

CRÉDITO RESTRITO

O ministro também voltou a mostrar preocupação com a pouca oferta de crédito numa conjuntura marcada por baixo crescimento econômico, destacando que os bancos privados são responsáveis por 70 por cento da oferta de crédito para o consumo.

Mas disse que não pretende “fazer movimentos com bancos públicos” para ampliar a oferta de crédito na economia.

Nos dados mais recentes do BC, o mercado de crédito brasileiro encerrou o primeiro trimestre com aumento de 1,6 por cento no saldo de estoque em comparação a igual período de 2013, em meio ao aumento dos encargos financeiros cobrados nos empréstimos e financiamentos em decorrência do aperto dos juros básicos.

Reportagem de Luciana Otonii

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