Brasil não possui condições de ter meta de inflação abaixo de 4,5%, diz Mantega

quarta-feira, 7 de maio de 2014 07:13 BRT
 

BRASÍLIA, 6 Mai (Reuters) - A economia brasileira não reúne condições necessárias para que seja adotada no país uma meta de inflação inferior aos 4,5 por cento em vigor, disse na noite terça-feira o ministro da Fazenda, avaliando ainda que os preços altos irão ceder nos próximos meses.

"No futuro poderemos almejar meta de inflação mais baixa, poderá ser entre 3 e 3,5 por cento. Mas neste momento não reunimos condições para isso", disse Guido Mantega em entrevista ao programa "Espaço Público" transmitido pela TV Brasil.

A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. O pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, disse que, se eleito, reduziria a meta de inflação a 4 por cento a partir de 2016 e a fixaria a 3 por cento para 2019.

Mesmo diante da alta dos juros iniciada pelo Banco Central em abril do ano passado, a inflação segue elevada e economistas de instituições financeiras preveem que a alta do índice de preços oficial, o IPCA, encerrará este ano com alta de 6,5 por cento, segundo a última pesquisa Focus do BC.

Os preços altos constituem um dos principais problemas do governo, com a crescente insatisfação do eleitorado com a perda de poder aquisitivo sendo um dos fatores que explicam a piora da avaliação do governo e a redução da popularidade da presidente Dilma Rousseff neste ano eleitoral.

Durante a entrevista, Mantega fez um prognóstico otimista sobre a trajetória dos preços.

"Teremos em abril inflação menor e inflação em maio menor ainda e em junho estará em patamar mais tranquilo."

Neste cenário de preços altos e resistentes ao aperto monetário --entre abril de 2013 e abril deste ano o BC retirou a taxa Selic da mínima histórica de 7,25 por cento ao ano elevando-a gradualmente para os 11 por cento atuais-- Mantega foi questionado por jornalistas sobre se seria a favor da autonomia do banco.

"Não acho que tem que mudar nada. Está bom desse jeito", respondeu o ministro. Atualmente o BC tem autonomia operacional, mas não institucional, sendo que seu presidente e diretores não têm um mandato fixo.   Continuação...