ANÁLISE-IPO de e-commerce global do Casino pode destravar valor para Pão de Açúcar

quarta-feira, 7 de maio de 2014 17:04 BRT
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - A eventual abertura de capital de uma unidade global de comércio eletrônico do francês Casino deve destravar valor para suas operações no Brasil, onde a companhia controla o Grupo Pão de Açúcar, maior varejista do país.

Embora detalhes do plano não tenham sido revelados, analistas afirmam que sua concretização poderá dar ao GPA e à sua controlada de móveis e eletroeletrônicos Via Varejo uma participação melhor em um negócio de comércio eletrônico mais forte e com visibilidade mundial.

Na véspera, o GPA anunciou que pretende combinar os negócios da Nova Pontocom, de varejo online, com as atividades correlatas do Casino na França, Colômbia e Ásia. O projeto prevê a criação de uma nova companhia global, a NewCo, com ações listadas nos Estados Unidos.

"A maior parte das avaliações para o GPA e para a Via Varejo são baseadas em lucro, e falham em determinar um valor explícito para o e-commerce", disse o analista Robert Ford Aguilar, em relatório do Bank of America Merrill Lynch.

"Se o Casino criar uma estrutura para a NewCo capaz de responder a questões de governança e outras preocupações dos minoritários, a associação pode se mostrar forte", acrescentou Aguilar. Ele estimou que a transação poderá destravar cerca de 1,5 bilhão de dólares em valor para a Via Varejo referentes à sua fatia na Nova Pontocom, e 2,5 bilhões de dólares para a exposição direta e indireta do GPA na empresa.

Embora ainda não opere no azul, a Nova Pontocom teve vendas líquidas de 4,3 bilhões de reais no Brasil no ano passado, figurando entre as principais companhias de varejo online do país.

No primeiro trimestre, a empresa entregou maior avanço na receita líquida entre todas as divisões do GPA, com salto de 52,6 por cento ante igual período de 2013, a 1,3 bilhão de reais.

Também enxergando possível destravamento de valor para as operações do GPA, o analista Tobias Stingelin, do Credit Suisse, lembrou, por outro lado, que ainda não há informações precisas sobre a avaliação do negócio conjunto ou sobre a estrutura de governança da nova empresa que seria formada, incluindo a fatia exata de cada um dos sócios.   Continuação...