Uso da capacidade instalada na indústria recua a 80,9% em março, diz CNI

quinta-feira, 8 de maio de 2014 14:52 BRT
 

BRASÍLIA, 8 Mai (Reuters) - O uso da capacidade instalada recuou em março ante fevereiro ao mesmo tempo em que houve forte retração do faturamento e queda em quase todos os indicadores industriais, reforçando os sinais das dificuldades da indústria brasileira em engatar uma recuperação mais firme neste início de ano.

Em março, a utilização da capacidade instalada na indústria ficou em 80,9 por cento, com dados dessazonalizados, ante 81,9 por cento em fevereiro, conforme dados apresentados nesta quinta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O faturamento real dessazonalizado da indústria caiu 6,3 por cento frente ao mês anterior, na maior retração mensal desde novembro de 2008 e revertendo integralmente a alta de 4,4 por cento registrada em fevereiro.

As horas trabalhadas na produção diminuíram 2,4 por cento em março na comparação com o mês anterior. A massa salarial e o rendimento médio recuaram 2,4 e 0,6 por cento, respectivamente.

O único indicador a apresentar expansão foi o emprego, com aumento de 0,3 por cento frente a fevereiro.

A CNI atribui o desempenho ruim da indústria em março ao feriado de Carnaval. "O Carnaval aconteceu em março, quando geralmente acontece em fevereiro. Dessa forma, influenciou positivamente os resultados das vendas em fevereiro e negativamente em março."

No trimestre, o faturamento mostrou aumento de 2,7 por cento na comparação com igual período do ano anterior. No período, o emprego teve alta de 1,7 por cento, a massa salarial avançou 5,5 por cento e o rendimento médio real mostrou acréscimo de 3,7 por cento. No período, as horas trabalhadas na produção tiveram queda de 0,1 por cento.

Ainda que em sua maioria os indicadores mostrem variação positiva no trimestre, o desempenho foi marcado por volatilidade sem indicações de que o setor industrial ingressou em trajetória contínua de expansão.

Em outro indicador do setor, a produção industrial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e apresentada na quarta-feira mostrou queda de 0,5 por cento em março, influenciada pelo recuo de 3,6 por cento no segmento de bens de capital, medida de investimentos no país.

(Por Luciana Otoni)