Acionistas da ALL aprovam incorporação pela Rumo

quinta-feira, 8 de maio de 2014 17:11 BRT
 

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO (Reuters) - Os acionistas da ALL aprovaram nesta quinta-feira a incorporação da companhia pela Rumo, do grupo de energia e infraestrutura Cosan, em um negócio para criação de uma gigante de logística avaliada em cerca de 11 bilhões de reais.

A aprovação segue o crivo dado pelo Conselho de Administração da ALL, em meados de abril. A operação, alvo de preocupações sobre concorrência, ainda precisa ser avaliada por órgãos reguladores como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Entre os maiores acionistas da ALL, estão a BNDESPar, com 12,10 por cento, seguida de Julia Arduini, com 5,61 por cento, Global Markets Investments Limited Partnership (GMI), com 4,94 por cento, e o fundo de investimento BRZ, com 4,79 por cento, segundo informações da empresa. Também são acionistas os fundos Previ, com 3,95 por cento, e Funcef, com 3,88 por cento.

Segundo ata da assembleia extraordinária realizada em Curitiba, nesta quinta-feira, não haverá direito de recesso aos acionistas da ALL que não tenham votado a favor da incorporação. "tendo em vista que as ações de emissão da companhia possuem liquidez e dispersão no mercado".

A ALL, porém, não informou se a votação foi unânime. Compareceram à votação, acionistas representando 74,82 por cento do capital da empresa.

Pelos termos da proposta, anunciada no final de fevereiro, a Rumo deve incorporar a totalidade das ações de emissão da ALL, ficando com 36,5 por cento da companhia resultante da união, enquanto os demais 63,5 por cento do capital caberiam aos sócios da ALL, maior operadora ferroviária do Brasil.

A oferta considera um valor de referência para a ALL de 6,959 bilhões de reais, equivalente a 10,184 real por ação. As ações da ALL fecharam em queda de 2,3 por cento nesta quinta-feira, cotadas a 8,57 reais.

Caso seja levada a cabo, a fusão encerrará disputas judiciais entre ambas as empresas em torno de contratos de transporte de açúcar.

O negócio é alvo de críticas entre vários setores, principalmente do agronegócio brasileiro. No início de março, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa o principal setor exportador de commodities agrícolas do país, afirmou que o negócio representa "concentração de poder" de mercado.

Já a fabricante de celulose Fibria entrou com pedido no Cade para participar como parte interessada do processo de análise da fusão, afirmando "ter preocupação" no cumprimento de contratos.