May 9, 2014 / 12:47 PM / 3 years ago

IPCA sobe 0,67% em abril, abaixo do esperado, com alimentos e transporte

5 Min, DE LEITURA

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 9 Mai (Reuters) - O alívio nos preços de alimentos e transportes ajudou a inflação oficial do país a desacelerar a alta a 0,67 por cento em abril, melhor que o esperado, evitando aproximação ainda mais forte do teto da meta de inflação do governo e pavimentando o caminho para o Banco Central parar de elevar a Selic já neste mês.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu em 12 meses até abril 6,28 por cento, ante 6,15 por cento em março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

A meta é de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. Em março, o indicador havia subido 0,92 por cento.

Os dados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters, cujas medianas apontavam alta de 0,80 por cento na comparação mensal e de 6,42 por cento na base anual.

Ainda assim, o cenário continua sendo de pressão de preços. O resultado mensal foi o maior para abril desde 2011 (0,77 por cento) enquanto o acumulado em 12 meses representou o maior nível desde junho de 2013 (6,70 por cento).

O índice de difusão dos preços continua alto. Segundo cálculos do Banco Fator, ele caiu apenas 1 ponto percentual, a 70 por cento em abril.

"O quadro como um todo ainda é muito delicado. O risco do estouro do teto está muito presente ainda, apesar desse resultado melhor", avaliou a economista da Tendências Consultoria Alessandra Ribeiro, para quem o IPCA em 12 meses vai a 6,86 por cento em junho com a Copa do Mundo e permanece acima do teto da meta até novembro, encerrando o ano a 6,3 por cento.

Administrados

Segundo o IBGE, a inflação do grupo Alimentação e Bebidas ficou em 1,19 por cento em abril, ante 1,92 por cento em março, mas ainda assim registrou não apenas a maior variação mas também o maior impacto no indicador no mês, de 0,30 ponto percentual.

Já a alta dos preços de Transportes recuou a 0,32 por cento no mês passado, contra 1,38 por cento em março, representando 0,06 ponto percentual do índice. Isso foi efeito principalmente da queda de 1,87 por cento das tarifas aéreas, após alta de 26,49 por cento no mês anterior.

A alta dos preços dos alimentos ganhou destaque nesse começo de ano em meio à seca que afetou grande parte do Brasil, somando-se ao cenário de preocupação com custos de serviços e o encarecimento da energia elétrica devido ao maior custo gerado pelo acionamento das usinas termelétricas.

"A renda mais forte dos consumidores e a demanda maior por produtos também estão causando aumentos de preços de alimentos e serviços", disse e economista do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

Gráfico de inflação: link.reuters.com/kuw76s

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

Em abril, a alta do índice de serviços desacelerou para 0,44 por cento, de 1,09 por cento em março, informou ainda o IBGE. Já os preços administrados avançaram 0,77 por cento, contra variação negativa de 0,02 por cento no mês anterior.

Dentro dos administrados, destacou-se o avanço mensal de 1,62 por cento no preço da energia elétrica residencial, após recuo de 0,87 por cento em março.

Em maio, segundo o IBGE, novas elevações de tarifas devem impactar o IPCA, como alta de energia em Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Fortaleza.

Selic X inflação

Para segurar a inflação, há um ano o BC vem elevando a Selic, hoje a 11 por cento ao ano, mas já sinalizou que deve parar de subir os juros básicos neste mês, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente.

O BC argumenta, entre outros, que a atual escalada nos preços dos alimentos é temporária e que a pressão no indicador vem também dos preços administrados.

"(O BC) parece confortável em simplesmente impedir que a inflação supere o teto da banda de tolerância. Portanto, mantemos nossa projeção de que não deve elevar a Selic na próxima reunião", escreveram em nota os economistas do Espírito Santo Investment Bank.

A pesquisa Focus do BC desta semana mostrou que os economistas veem o IPCA fechando este ano no topo da meta, a 6,50 por cento, com alta de 5,0 por cento dos preços administrados.

Também mostrou que as expectativas são de manutenção da Selic agora, movimento que ganhou força nesta sessão no mercado de juros futuros.

Reportagem adicional de Felipe Pontes

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below