BM&FBovespa perde medo de concorrência, planeja reforçar caixa

sexta-feira, 9 de maio de 2014 14:40 BRT
 

SÃO PAULO, 9 Mai (Reuters) - Prestes a concluir um programa bilionário de investimentos para ganhar eficiência e sem sinais claros de que enfrentará competição no mercado doméstico, a BM&FBovespa avalia que o melhor momento para a entrada de rivais já passou.

Diante disso, a operadora de bolsas vem gradativamente se voltando para o que fará com os recursos extras que terá quando concluir o projeto de unificar suas quatro clearings (ações, câmbio, derivativos, títulos), até o início de 2016.

"A concorrência perdeu o 'timing' e o bonde", disse nesta sexta-feira a jornalistas o presidente-executivo da companhia, Edemir Pinto, em coletiva sobre resultados trimestrais.

Além da unificação de clearings, a companhia lança nos próximos meses um novo sistema de risco, ferramentas que, segundo ele, deixarão a empresa em condições de suportar o crescimento do mercado nos próximos 15 a 20 anos.

A ATS, que reúne a Americas Trading Group (ATG) e a Nyse, Bolsa de Nova York, pediu no ano passado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) registro para operar uma Bolsa de Valores no Rio de Janeiro. Juntas, a Direct Edge e a Bats também manifestaram interesse em operar no Brasil.

Cada vez mais confiante de que a concorrência não virá, a administração da bolsa paulista começa a voltar os olhos para o que fará a partir de 2016, quando a nova clearing estiver totalmente operacional e a necessidade de investimentos cair bastante.

"Devemos nos concentrar em reforçar seu caixa e ampliar processo de internacionalização", disse Edemir, praticamente descartando a chance de elevar o percentual de lucros da companhia distribuído aos acionistas em dividendos, atualmente de 80 por cento.

Em parte, a internacionalização é vista pela BM&FBovespa como meio de diversificar suas receitas, uma vez que o cenário continuado de fraqueza do mercado de capitais doméstico tem pesado no faturamento da companhia.

No plano doméstico, a empresa deve lançar no segundo semestre uma série de novos produtos de balcão, como letras financeiras, contratos futuros de inflação, ETFs de renda fixa e recibos de ações (BDRs) de empresas europeias, disse o diretor de Produtos e Relações com Investidores, Eduardo Guardia.   Continuação...