Tesouro Nacional não fará novos aportes para ajudar distribuidoras, diz Aneel

sexta-feira, 9 de maio de 2014 15:27 BRT
 

SÃO PAULO, 9 Mai (Reuters) - O Tesouro Nacional não vai mais aportar recursos para ajudar distribuidoras de energia elétrica, afirmou nesta sexta-feira o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Reive Barros, em coletiva de imprensa após o leilão de transmissão de energia.

"A princípio, não existe recurso do Tesouro... O que o Tesouro tinha que aportar de recurso já aportou", disse ele nesta sexta-feira, ao acrescentar que teria que ser pensada uma alternativa para cobrir a exposição residual das distribuidoras.

As distribuidoras reduziram a exposição ao mercado de curto prazo a 354 megawatts (MW) médios, o que deve resultar em custos de cerca de 1 bilhão de reais até o fim do ano, segundo elas.

Mas além desse custo, as empresas irão arcar, até o próximo reajuste tarifário com a diferença entre o preço de energia contratada no leilão, a cerca de 268,33 reais por megawatt-hora (MWh), e o valor que é coberto pelas tarifas de energia atualmente -- o que pode resultar em mais cerca de 1,5 bilhão de reais em custos.

O secretário-adjunto do Ministério de Minas e Energia, Moacir Bertol, disse que a exposição das distribuidoras atualmente é muito menor que a verificada anteriormente. No início do ano falava-se em cerca de 3,3 gigawatts médios. Segundo ele, o Ministério está avaliando o tema em conjunto com as distribuidoras.

Ele acrescentou que as geradoras também já se manifestaram ao Ministério de Minas e Energia sobre as preocupações com os custos relacionados à redução da geração hidrelétrica pelas usinas, diante do quadro de baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. Segundo ele, o tema também está sendo avaliado pelo Ministério.

O Tesouro Nacional já destinou recursos neste ano para cobrir a exposição involuntária das distribuidoras e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) contratou empréstimo de 11,2 bilhões de reais com bancos para ajudar as companhias. No entanto, os recursos do financiamento devem esgotar até junho.

(Por Anna Flávia Rochas)