OIE confirma que caso de vaca louca no Brasil é "atípico"

sábado, 10 de maio de 2014 10:13 BRT
 

SÃO PAULO, 10 Mai (Reuters) - O laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) confirmou que o caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecido como mal da vaca louca, encontrado em Mato Grosso é "atípico", informou o Ministério da Agricultura.

O ministério afirmou que o teste realizado no laboratório de Weybridge, do Reino Unido, ratifica resultado das investigações epidemiológicas realizadas no Brasil indicando que se trata de um caso espontâneo, que não tem qualquer correlação com a ingestão de alimento contaminado.

"Para o laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), todos os dados disponíveis sobre esta situação apoiam o entendimento de se tratar de um caso atípico." informou o ministério em nota.

No caso atípico, que ocorre de forma esporádica e espontânea, principalmente em animais mais velhos, não há relação com a ingestão pelos animais de ração contaminada.

A vaca morta em Mato Grosso tinha 12 anos --nasceu e foi criada na mesma fazenda, em sistema extensivo de produção a pasto e sal mineral, segundo o ministério.

No caso clássico, a doença é transmitida por ração contaminada com o príon, por ter sido elaborada com produtos obtidos de animais infectados.

O ministério ponderou, contudo, que ainda não se tem um "diagnóstico conclusivo que possa ser usado para classificá-lo de forma inequívoca até o momento".

A carne e outros produtos do animal de Mato Grosso não ingressaram na cadeia alimentar, e o material de risco específico foi incinerado, segundo o ministério.

Por conta do caso atípico de vaca louca, o Peru --importador de volumes insignificantes de carne bovina do Brasil-- impôs embargo de 180 dias ao produto brasileiro.

Este é o segundo caso atípico --que não apresenta risco de transmissão da doença-- no Brasil. No final de 2012, foi registrada uma ocorrência no Paraná, o que levou alguns países a decretarem restrições à carne brasileira, impactando as exportações em 2013, apesar de o caso ter sido classificado como "atípico".

(Por Fabíola Gomes)